segunda-feira, 15 de junho de 2020

A tentativa de sequestrar outra agenda da educação pública

Eu não costumo falar a respeito de mim mesmo porque minha vida é tremendamente desinteressante. Desde que esse espaço existe, e lá se vão uns treze anos, o leitor raramente sabe onde estou ou o que eu ando fazendo. Não vejo contexto nessas coisas. Prefiro a literatura que fala a verdade mentindo; e a filosofia que mente falando a verdade. Se o patriotismo foi o último refúgio dos canalhas, talvez hoje o cinismo seja o único refúgio dos patriotas.

Assumi recentemente aquilo que considero o maior desafio profissional da minha vida: ser professor de universidade. Optei pela universidade pública porque fui criado dentro dela e, nas poucas vezes que estive em universidades privadas foi como bolsista, para defender o público. Meu carinho pela educação pública é honesto e orgulhoso e, mesmo sendo péssimo na memória dos nomes, sei o nome de cada professora que me atendeu desde a pré-escola.

Nesse momento terrível de pandemia, a exigência do isolamento social aguçou substancialmente o complô contra o ensino público. Isso aconteceu, porque fez crescer na universidade aquilo que eu considero o tipo mais rasteiro de auto-sabotagem: a sabotagem interna ao ensino.

Em todos os níveis da educação, é flagrante que a última prioridade das autoridades, gestores privados e da própria sociedade civil, é a volta às aulas de forma regular, com alunos dentro da sala de aula. Isso acontece por dois motivos: o cuidado natural que devemos ter com as crianças, por um lado; e, considero tão importante para entender o porquê da falta de pressa em fazer algo pela educação, o desinteresse político. Ou alguém imagina que surgirá por aqui uma sugestão de reduzir o número de alunos dentro das salas de aula, como aconteceu em Israel que limitou o volume de estudantes a 15 e fez a maior contratação de professores desde a reconstrução da Alemanha no pós-gerra?

Sendo assim, não tenho medo de prever: a última coisa que a sociedade brasileira fará será colocar alunos dentro da sala de aula. Mesmo na quarentena e no isolamento social mais hipócrita e meia boa do mundo, a preguiça e medo manterá todos fora das salas de aula até o fim completo de qualquer risco à saúde.

Ponto. Nova linha. Dito isso, vou falar da universidade.

O discurso deteriorado, envolvendo conchavos conspiracionistas está, nesse momento, tentando fazer crer que o melhor para o campo do ensino das universidades públicas é, acreditem, não fazer nada. Trata-se de um discurso conspiracionista, porque vende a ideia de que estamos diante de um grande plano do "neo-liberalismo", "capitalismo mercadológico", e faz uso de outras liturgias flagrantemente cartilhescas e ultrapassadas para tentar incendiar o fim da universidade pública com a privatização e isolamento acadêmico em meio ao tecnicismo. O objetivo de quem vende esse tipo de agenda é basicamente ficar fora da sala de aula e, ao mesmo tempo, tentar anular as sugestões de alternativas que pretendem levar o ensino por ferramentas tecnológicas, textos impressos, atender orientados e todas as outras atividades ligadas a dar atenção ao ensino. O resultado da conspiração interna acaba licenciado a própria universidade e seus gestores de buscar soluções para uma efetiva universalização do ensino.

Demonstrado que se trata se um projeto de auto-sabotagem conspiracionista, vou mostrar que se trata de uma tentativa igualmente nefasta de negacionismo.

A tentativa de anular a possibilidade de retorno das universidades públicas ao ensino por outros meios é negacionista, porque ignora o problema real que estamos enfrentando: uma pandemia. Se por um lado, apegam-se a ideia de que haverá o fim das atividades presenciais das instituições de ensino superior - um absurdo institucional conspiracionista desprovido de qualquer base prática, teórica ou empírica -, por outro, negam que o estado pandêmico seja um problema real que exige proposições e sugestões para atender os alunos no campo do ensino. Esse raciocínio ignora o ensino como um direito social que tem na universidade um dos seus principais pilares. Basicamente, trata-se de levantar as mãos para o alto e dizer: "e daí? É uma pandemia, eu não posso fazer nada a respeito do ensino". "Sim, é meu trabalho buscar soluções para atender alunos em um momento de crise como este, mas eu nego que seja um problema real que a universidade pública precisa enfrentar. Precisamos assistir esquifes sendo empilhados em um eterno luto que nos redimirá de todos os nossos pecados enquanto nação". Como sabemos, não estamos diante de uma gripezinha, nem de um evento isolado ao Brasil que vai, simplesmente, passar na semana que vem. Portanto, é sim um discurso negacionista. Serão, sim, meses afastados de qualquer indício de normalidade na educação, pelos motivos já observados.

Demonstrado que a auto-sabotagem do ensino universitário brasileiro é muito mais enfileirado ao "gabinete do ódio" instalado dentro do Palácio do Planalto do que se imaginava, vou me dirigir especificamente aos meus colegas e alunos, incluindo alunos dos meus colegas:

Do ponto de vista de um professor que ama aquilo que faz, é desalentador e desmotivador imaginar que existe uma tremenda facilidade de professores e funcionários públicos negacionistas e conspiracionistas em cooptarem uma parcela dos alunos. Divido esse desalento com muitos colegas que estão nesse momento buscando levantar sugestões propositivas pelo ensino universitário em meio ao ruido produzido pelo conspiracionismo e negacionismo. Desmotiva, mas não surpreende. O que garanto é o seguinte: trata-se de uma parcela diminuta e barulhenta, envolvida em uma moldura de militância universitária, antiguada, ineficiente e improdutiva. Quando bem pesquisado - e um dia será -, também se observará que se trata da parcela desinteressada pelo ensino dentro da sala de aula. Eles lidam com uma imagem de universidade improdutiva e repetente, são os candidatos naturais ao júbilo. No entanto, não se trata do maior contingente de estudantes. Existem os interessados. Eu mesmo coloquei no ar um curso livre - pro forma ao currículo regular - e lá estão mais de 300 alunos. Duvido que conseguirei atender todos. Não tenho suporte da universidade para os atender e vou me responsabilizar pessoalmente por cada um que tiver interesse nas atividades, na universalização da universidade sem distribuição de diplomas e afeita ao binômio: professor dá palestrinha, aluno faz de conta que aprende.

Há brasileiros interessados em educação. Há professores, alunos e administradores em universidades que não são conspiracionistas e negacionistas. O melhor jeito de se manter refém de um problema, alheio à efetiva liberdade positiva que nos fornece ferramentas de trabalho para a universalização do acesso à universidade, é ignorar que ele exista. Em última instância, nenhum conspiracionista e negacionista jamais surgirá para responder as seguintes perguntas: se não podemos atender todo mundo, não devemos atender ninguém, por quê? Devemos realmente deixar aqueles que não têm acesso às ferramentas de ensino modernas como marginais do processo sem fazer nada por esses alunos, por quê?

Para todos aqueles iludidos que ainda pensam que o melhor jeito de resolver um problema é sequestrar a agenda interna que ele gerou, eu preciso lembrar o seguinte: o inverno de 2013 só terminou em 31 de agosto de 2016. Proselitismo nunca será uma solução em meio ao debate entre livres e iguais.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Quando Cortella tem razão...

Já me perguntaram mais de uma vez quando eu penso que as coisas vão voltar ao normal. E a única coisa que me veio a cabeça até agora como resposta é: eu espero que nunca! Precisou vir Mario Sérgio Cortella a público para falar algo filosoficamente relevante sobre a Covid no Brasil. E foi oportuno! Cortella tem razão em suspeitar que o brasileiro pensa poder se redimir de todos os seus pecados empilhando os corpos de mártires dessa tragédia.

Bolsonaro, Jânio e as lições da história, escreve Thales Guaracy ...Estamos em um estado das coisas analisado pelo ângulo errado desde muito tempo. Há quem veja tudo isso como sintoma de uma sociedade politicamente sucumbida. Já penso que não se trata de um sintoma, mas o efeito colateral de muito tratamento errado. Lidar com efeitos colaterais como se fossem sintomas tem um preço.

Reeditamos a história de Jânio Quadros. É preciso lembrar que nada voltou ao normal depois de Jânio, o presidente mais mentecapto e despreparado do século XX (mesmo sabendo que existiram concorrentes a altura, esse é o meu voto, sim!)

O vírus pode não escolher classe social ou fazer distinção racial, mas saímos da dúvida: qual é o comportamento do Covid19 em um país tropical para a obviedade: o vírus é, sim, mais letal em lugares onde a saúde pública e o saneamento básico não são prioridade. É preciso milhares de mortes para chegarmos na obviedade. Diferente da liturgia, a remissão dos nossos pecados não nos dá a vida eterna.

Se tudo der certo, não voltaremos a ser como antes, mas seremos exatamente como somos agora. E continuaremos com os mesmos eufemismos: desleixo e desinteresse é "resiliência"; bravata e verborragia é "nova política".

Sem trocar o remédio, podem esquecer. Sem deslocar o debate para aquilo que de fato importa, o empilhamento de corpos é o mínimo que merecemos para remissão dos pecados. Não admitir que aquilo que, de fato, é relevante é a melhora real da qualidade de vida dos menos favorecidos, combate a corrupção e funcionamento integral das instituições como pano de fundo perene é o único suicídio real da democracia. Voto é apenas o mecanismo para justificar o fim dos tempos. E, por fim, Bozo tem razão quando aponta que o ego é mais importante que o Brasil. Apenas erra o alvo quando aponta apenas para Moro, quando tenta atirar pra todo lado.

O único boicote possível da imprensa é a mea culpa e parar de bater palmas para maluco dançar. Nem a crítica merece espaço. A admissão pública de que o presidente da república reina, mas não governa, diz muito mais sobre a imprensa do que sobre o próprio presidente. Se o chefe do executivo acredita honestamente (e acredito que estamos diante de alguém suficientemente conspiratório para levar isso a sério) que "a inteligência da Polícia Federal perdeu espaço na gestão" e não faz nada pra substituir o ministro, a máxima da ausência de poder é a tônica central, e ela é mais do que suficiente para deixar qualquer expectativa de governabilidade de lado. Então, que o "basta é basta" seja a simples admissão de que "não tem problema eu acreditar que algo não esteja funcionando, contanto que se mantenha um nepotismo básico e um apoio mastigado de um setor bajulador".

Mas, se parar pra pesar, até agora, tudo bem. Afinal, chegamos ao ponto em que Cortella tem razão!

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A moral da história


Eu tive um tipo de aneurisma. Na verdade, o que eu tive foi uma experiência com várias palavras que eu nunca havia pensado em usar, a não ser para me referir a outras pessoas. Aneurisma, cirurgia, artéria esplênica, banho no leito. Nunca imaginei que isso fosse pra mim. 

Resultado de imagem para frank Netter baçoA gente sempre pensa que vai morrer de um jeito heroico. Claro, tem o grupo que sonha em morrer em total sossego, durante uma boa noite de sono e outros que têm medo de morrer. Estou me referindo "a gente" normal, aqueles que gostam da vida. Esses querem morrer sem dor e bem de repente. 

Como eu nunca havia entrado em um hospital antes, fazia parte do grupo daqueles que pensam que nunca vão morrer. No máximo, eu tomava muito cuidado quando estava fazendo uma atividade - mais ou menos - perigosa, como rappel, ciclismo, uma corridinha ao redor do parque ou dirigir. Dirigir é, disparada, a atividade mais perigosa que fazia, então, sempre tomei muito cuidado com isso. Acho que a gente toma cuidado com tudo que gosta de fazer ou dá algum prazer imediato. Eu, pessoalmente, adoro dirigir. Estava até fazendo habilitação para dirigir ônibus. Quem sabe um dia eu compre um, e vá acampar por aí, ou sei lá. Você nunca sabe quando precisará dirigir um ônibus. Sandra Bullock que o diga, coitada. Independente de você precisar dirigir um ônibus ou não, aprender a dirigir ônibus me ajudava a melhorar minha percepção do trânsito em geral e isso ampliava a segurança, definitivamente. Então, fazia com cuidado. 

Nunca pensei que fosse ter um derrame na artéria esplênica (sim, existe uma artéria esplênica). Ainda por cima um derrame enquanto comia salgadinho no aniversário de um ano da filha da minha vizinha. Em resumo é assim: o resultado de um sangue saindo pelo lugar errado na região do baço traz uma dor abdominal terrível, uma cirurgia de emergência, sem diagnóstico e um monte de médicos e enfermeiras correndo atrás de um jeito de te manter vivo em uma mesa de cirurgia por cerca de cinco horas. Nada disso eu lembro, porque estava apagadão, mas sei do esforço de todos eles, porque não estava mais apagado quando me levaram para a UTI. Nunca pensei que fosse dar sorte de ter ido para uma UTI, mas quando se tem sangue saindo pelo lado errado, dentro do seu corpo, os padrões de sorte e azar são razoavelmente alterados. Então gosto de pensar que tive sorte de ter ido para UTI; sorte de ter contado com gente piedosa que me trocou curativos, deu soro, alimentação parenteral e outros que foram até ao hemocentro doar sangue para mim. Um punhado de sorte dos fisioterapeutas terem uma paciência contagiosa. E amigos honestos por perto é uma mistura de fortuna com virtú, muito mais do que mera sorte.  Também dei sorte de ser +AB e bem pouco exigente sobre o tipo de sangue que posso receber. Dei sorte quando os exames mostraram que a cirurgia foi um sucesso, e muita sorte quando consegui caminhar pela primeira vez depois de 72 horas em uma cama. Na UTI, você precisa reaprender a fazer algumas coisas, tipo caminhar, comer e tomar banho, mas isso só se você tiver muita sorte. 

Cinco dias de UTI e outros cinco enfiados em um quarto de hospital, e qual a moral da história? O máximo que posso fazer é agradecer os médicos com uma garrafa de wiskey que não tenho mais condições de beber; agradecer as enfermeiras e todos os técnicos de enfermagem por terem me reensinado coisas básicas e me mantido limpo por tanto tempo, longe de infecções. É o máximo que dá para fazer. 

No mais, é sorte. Torcer para que as pessoas parem de se sentirem moralmente superiores, mesmo sendo tão frágeis e avisar que aquele rapazinho que se matou no final do filme Sociedade dos Poetas Mortos - afinal, a família não queria que ele fizesse teatro! - é só um personagem chato e mimado servindo para moralizar pessoas chatas e mimadas. Pois é, a história da moral mostra para a gente que não tem moral da história. 

sábado, 9 de novembro de 2019

A agenda Lula livre e a nova bifurcação

Dias Toffoli e seu nada ilibado currículo com ausência de notório saber jurídico foi o todo decisivo que apresentou ao Brasil a tese final da aristocracia jurídica colonial: se você tem dinheiro para recorrer ao Supremo, não precisa cumprir pena nenhuma. Por certo, o satélite eleitoral Lula é o lamentável nome que mais chama atenção e agenda da esquerda não teve sequer a dignidade de manter uma oposição a altura de competir com a inoperância e ineficiência do próprio governo. O resultado disso era bastante evidente, pois não se tratava de se Lula estaria fora das grades, mas quando. A soltura do ex-presidente e chefe de quadrilha veio no preciso momento no qual a oposição passou a fazer falta para o funcionamento das instituições, inclusive do Supremo.
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Afinal, estamos diante de uma nova bifurcação na polaridade do jogo político? A resposta é: depende. Só quem pode estabelecer essa nova bifurcação é o próprio líder petista. Entre as alternativas, está a tentativa de estabelecer uma nova liderança, fazer campanha e reeditar um PTlight com o centrão. Esse primeiro movimento dependeria da inteligência política que Lula tem e da sua capacidade de articulação. Não é impossível, mas esbarra no perfil do quadrilheiro aposentado que tem seu ego concorrendo com a inteligência. Aí tem a segunda alternativa: Lula é candidato em 2022 e termina de afundar o PT se for eleito, com a mesma força que o faria caso não fosse.

O Brasil estará diante de uma nova polarização, especialmente porque precisamos levar em conta a completa impossibilidade de que Lula consiga movimentar sua militância com o discurso Lulinha paz e amor que o fez presidente, agradando a gregos, troianos e a Fiergs.

Toda militante de esquerda que tenta distinguir os currículos de Bolsonaro com o de Lula, a partir de agora tende a falhar. Não há mais em cena dois candidatos ou potenciais mandatários do executivo, mas duas concepções bizarras e extremistas de Brasil. Não são mais homens, são ideias espúrias, fracassadas ou por falta de projeto ou por excesso de projeto. Lula sai na frente apenas porque tem muito mais habilidade em ignorar a ideia do bolsonarismo, enquanto Bolsonaro vai precisar aprender a conviver com o político que o fez político. Nunca, desde Osvaldo Aranha e Getúlio Vargas um político dependeu tanto de outro como Bolsonaro depende de Lula. Fato é que o primeiro não sabe se comportar como rede Glogo, ignorando o segundo; e, por mais que possa tentar, o peixe que não morre pela boca, morre tentando defender o cardume. Levando em conta que o cardume dos Bolsonaros é aquilo que é nas redes sociais, é inevitável que ele esteja completamente perdido.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Macron foi desmascarado: é comunista!

Emmanuel Macron, o maior líder conservador do continente europeu, foi desmascarado: é comunista! A denúncia veio da Abin, a agência brasileira de arapongagem. Depois de muita pesquisa no Feici, os espiões do Palácio do Planalto e a inteligência militar brasileira (desculpem, é eles que se batizaram assim), finalmente, desbaratou a maior fraude eleitoral da história recente da Europa. Macron é, sim, comunista!

Resultado de imagem para Brigitte Marie-Claude MacronAo que tudo indica, Macron se tornou comunista há muitos anos. Sua ligação com o martelo e a foice remontam ao tempo do ensino médio, quando tentou pegar a professora. Isso mesmo! Diferente do que pensam os menos solertes, Macron não se tornou comunista nos últimos cinco dias por insistir em defender o dinheiro do povo francês depositado no Fundo Amazônia. Muito menos, ele se tornou comunista quando sugeriu que o Brasil deveria ter um presidente que se comportasse com a dignidade que o cargo exige. Macron também não se tornou comunista quando deu atenção para as imagens de satélite e disse que o Brasil tinha a responsabilidade de fazer algo para conter incêndios na maior floresta tropical do planeta.

Macron, pasmem, se tornou comunista quando casou com uma mulher mais velha do que ele. E, acreditem, Macron não a trocou pela primeira puta, depois de surgirem as primeiras rugas na cara da esposa, como muitos conservadores acham de boas fazer.

Brigitte Marie-Claude Macron, 66 anos de idade (25 a mais que o marido), foi professora de ensino médio. Sem histórico de ligação com milicianos, é uma primeira dama relativamente discreta. Ela tem três filhos do casamento anterior. Brigitte fez de Macron comunista. E agora ele se soma a lista de comunistas que incluem o Papa, os diretores da Nasa e todos os outros comunistas que sabotam o governo do mito.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Presidente não tem babá

Ninguém, nem mesmo Onix Lorenzoni, o aeroporto de mosquito com implante de cabelo, tutela a fala de um presidente. Tutelou-se a fala e o movimento de bufanismo durante tanto tempo que se esqueceu que presidente da república tem voz e caneta. Quando o presidente fala, a economia se movimenta, o investimento se retrai ou se expande. Ninguém tutela a fala de presidentes. Eles são responsáveis direitos por tudo que falam. Quando Bozo xinga governadores do nordeste aleatoriamente, não é apenas o preconceito e a burrice falando, o resultado vem. Na Bahia, a PM, por ordem do governador, não oferece segurança para visitas e inaugurações presidenciais. Na ciência, a ordem do cala a boca não cola, "hierarquia e disciplina" só tem vez com base em dados e os gringos que mandam no fundo Amazônia recolhem sua grana, deixando o investimento na agricultura e indústria de lado. Ninguém tutela a fala de presidente. Nem ele mesmo.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Na esteira dos idiotas úteis

O bolsonarista de segundo turno (que nem o título de bolsonarista merece, pobre coitado!) foi o primeiro a desembarcar. Como ele é considerado pelo governo um eleitor de ocasião, pode ser visto como 'idiota útil'. Numericamente, será deles que o mandatário do cargo de presidente da república vai precisar para continuar. A tentativa [travestida de estratégia] do governo é de criminalizar a política feita no Congresso, mas com o material empírico criminoso vem da milícia montada na própria famiglia de nada serve. Outro elemento que prejudica a cartilha montada de ataque ao legislativo é o sobrevoo do olhar que naturalizou a "renovação", com o PSL passando de UM para 52 deputados. Criminalizar a velha política fazendo parte dela não é agora só um número abstrato de quase 30 anos mamando nas tetas dos cofres públicos, é a institucionalização da incompetência como vitrine eleitoral. Nada disso dá votos, mesmo que a campanha ainda não tenha terminado.

Em meio a isso, o pouco que se faz com o poder da caneta é insólito: decretos que não vingam, liberações que nada liberam (cadeirinha de bebês, pela alma da burrice! Quando diabos um chefe de deveria estar preocupado com isso?!) Bolsonaro reina para o último círculo de abobados, mas não governa para ninguém. E, na falta de governo, sobra espaço para o norma da velha política. A compra de uma frota de carros passando dos R$ 7 milhões para transportar milicianos e idiotas úteis da família real faz mais contra Bolsonaro em uma única canetada do que faz o maior número de decretos esdrúxulos e das tentativas de governar legislando desde Collor. O governo ainda tem o apoio da mídia tradicional e ordeira, que gosta de ver novelas globais e faz campanha pela reforma de Guedes. Com o fracasso das reformas, especialmente a previdenciária, sobre a qual o próprio presidente mostra nada entender, nada sobrará para a queda. A reforma na mão do Congresso é a certeza de que privilégios não vão ser combatidos e, nem pra disfarçar que gostaria de ver privilégios combatidos, esse governo serve. O resultado será sangue, suor e as lágrimas dos idiotas úteis. Afinal, nenhuma agenda do governo é daquelas que dá votos e 57milhões de idiotas úteis não é quase nada para 2022. A ignorância é um método eleitoral eficiente para se chegar ao poder em um país de ignorantes, mas não para se manter lá.

sábado, 16 de março de 2019

O pior tipo e proselitismo


Como a maior parte das coisas na história do pensamento humano, o proselitismo encontra uma diferença de graus e não de eespécie Por certo, existe proselitismo de qualidade. Hobbes e Rousseau, patriarcas do contratualismo, foram proselitistas, tentaram vender ideias morais disfarçadas de conteúdo político abstrato. Não é para eles que empregamos o termo proselitismo no sentido mais usual. O prosélitos que tratamos como problema é um ato catequético. É o esforço sistemático de distribuir conteúdo moral sem relações causais imediatas em absolutamente qualquer evento, político ou não. 


Resultado de imagem para suzanoAs redes sociais instalaram um novo nível de proselitismo, o meme. O meme inibe o constrangimento que teríamos em tornar uma ideia proselitista verbo. Meme, fundamentalmente, não é verbo nem palavra, muito menos ideia. Ele é a expressão de um conteúdo catequético e sentimental, tendo como base fundante a oportunidade. As oportunidades surgem dos mais diferentes modos, políticos ou não. Quando oito crianças são mortas em uma escola no interior, a oportunidade para o proselitismo está armada e o proselitista não tem freio moral para distribuir seu conteúdo insensível e irracional: ele profere e distribui xilogravura de feira sobre o caixão e a dor alheia, sem pudor, pois essa é a principal característica de um proselitista.

Quando major Olímpio, um político sem freio moral ou integridade intelectual, sugere que os professores deveriam estar armados nas escolas, em um país onde o preço de uma arma é duas ou três vezes maior do que o salário de um professor; quando a esquerda sugere que devemos banir o registro de armas do país, para evitar crimes cometidos por armas buscadas no contrabando e na ilegalidade, enterramos nosso debate em torno de qualquer assunto, desrespeitamos a dor dos familiares envolvidos e mostramos que não temos condições de administrar nosso próprio futuro. Estamos na escala argumentativa política mais baixa, a do proselitismo.

Para nosso debate político ser pobre, ele precisa ganhar na loteria da falta de nexo causal.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Nixon vs. Bolsonaro


Resultado de imagem para frank langella oliver plattUma das cenas mais emblemáticas do filme Frost vs. Nixon é quando o ator que interpreta o único presidente americano na história a renunciar, Frank Langella, cumprimenta os jornalistas Bob Zelnick e James Reston Jr., interpretados por Oliver Platt e Sam Rockwell. Ambos são ferrenhos adversários intelectuais e políticos de Nixon, responsáveis por um número massivo de publicações e até um livro emblemático a respeito do caso Watergate, material altamente incriminatório sobre a participação de Nixon na compra de influência que levou a sua renúncia. O ex-presidente jamais havia admitido sua participação no caso. A entrevista o fez admitir.

Dado os spoilers, não do filme, mas da história, seguimos.

Zelnick e Reston Jr. acabaram nutrindo um ódio feroz pela figura de Nixon. Os jornalistas representam homens do jornalismo investigativo vigoroso que o USA tinha na década de 70, autoridades no caso Watergate e foram contratados pelo apresentador de TV David Frost, interpretado por Michael Sheen, para ajuda-lo na entrevista que levaria Nixon a admitir seus crimes. Confiantes pela sua credibilidade, conhecimento político e sabendo até o número de sapato da mãe de Nixon, eles foram apresentados ao ex-presidente horas antes da entrevista e, pasmem, estremeceram ao primeiro contato. O que Nixon fez para deixar os dois algoses sem palavras? Nada. Nixon representava o poder político de Maquiavel, mesmo fora da presidência. Reston Jr. jamais havia visto Nixon pessoalmente antes e estremeceu ao primeiro contato. Os relatos que levaram à produção do filme dizem que Nixon estendeu a mão se dizendo ansioso para conhecer Reston Jr., mas o jornalista só conseguiu dizer "mister president" e esse foi o fim do primeiro contato.

O poder gera um tipo intimidador de respeito. Isso é parte fundamental da tese maquiavélica de que é preferido ser temido do que amado, caso não se possa ser temido e amado ao mesmo tempo. Dilma foi uma presidente histérica, gritona, desorganizada e sem o menor respeito por si mesma e seus assessores. Falta de elegância que não combina nada com poder político. O resultado foi o impeachment. Temer, quando presidente do Senado, havia sido um homem poderoso. Esse poder foi diluído e pulverizado dentro do PMDB para preparar a sua aposentadoria fora das grades. Terminou como um presidente sem absolutamente nada de poder político e, se tivesse mais um ano a frente do Palácio do Planalto, não lhe sobraria nem a dignidade mais basilar. Lula e Fernando Henrique foram os últimos presidentes politicamente poderosos que o Brasil teve. Foram as últimas figuras com habilidade política suficiente para estremecer seus algoses. A pergunta desse momento histórico confuso é: que tipo de poder político tem Bolsonaro?

Bolsonaro não tem poder político apenas pela falta de sua habilidade política. Trata-se também de uma masculinidade frágil e vulnerável a todo tipo de ataque público. Ele não perde tempo, inclusive, exigindo respeito público, como fazia Dilma, porque sabe muito bem que isso não é possível. Logo, o apoio de um tipo de idolatria que se identifica com suas fragilidades é seu porto seguro. Se você não se entusiasma com um patriotismo de ocasião, cada palavra de Bolsonaro tem o mais profundo som do medo. O resultado da falta de respeito vai ser um governo com o poder loteado para o congresso e o presidente não passará de um twitteiro oficial, como temos nos Estados Unidos de hoje, onde não se pode mais fazer nem a jardinagem da Casa Branca por falta de inteligência em pagar os salários dos funcionários e honrar contratos básicos.

Enquanto for assim, Bolsonaro representará o medo e a fragilidade de um país covarde, como ele. Com apoio cintilante da idiocracia lulista que o colocou no poder, ele é o melhor representante para este momento do Brasil. E as alterações que o mundo sofreu contra o poder político em geral, exigindo que governantes buscassem respeito por outros mecanismos alheios ao mero poder político sem intimidações, são tão significativas. Todos aqueles que lutarem contra o tal 'globalismo' não vão parecer de um bando de velhotas histéricas exigindo a proibição de chuva nos domingos de missa. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A profecia Dilma: todo mundo vai perder

Pela primeira vez, em uma eleição, eu tenho o direito de estar mais preocupado com quem perderá do que com quem vai governar o país. Afinal, ser bom perdedor não é uma característica dos fracassados. Nosso fracasso federalista é traduzido em rancor, ódio e 7x1.

Hoje, o PT tem uma máquina de movimentar o terror adormecida. Por certo, qualquer movimento dessa máquina, agora, só projeta perda de votos. CUT, MST, e outras frentes de amparo ao escárnio ficarão como estão, ao menos, por ora.

Em 2019, tudo pode mudar.

Resultado de imagem para nao importa quem vai ganhar ou perderJá os focos da organização terrorista em torno da seita Bolsonariana não são administráveis com emails e telefonemas. É uma organização terrorista desorganizada, mas qualquer permissividade estatal pode transformar ela no que hoje é exatamente a CUT, MST etc. No fundo, administrar esse prejuízo é a única coisa que está em jogo, enquanto o país irá a passos largos para o agravamento do buraco econômico e institucional.

Todo resto e conversa pra boi dormir. Nada se pode prover sobre economia, segurança pública, saúde ou educação. Estamos na campanha política da descampanha.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Quem movimentou a máquina de transferência de votos 17.1?

Para poder responder essa pergunta é preciso fazer de conta que Lula nunca existiu. Digo isso, porque é evidente que o presidente-presidiário foi o maior mecanismo de contra-transferência de capital político desta eleição. O eleitorado 17.1 é composto não só pelos religiosos conservadores, mas pelos frustrados sociais. O cara comprou um carro financiado e agora viu que precisa pagar o preço dele na gasolina, o assalto à Petrobrás pagou as primeiras parcelas do Fiat Palio, mas a conta veio depois. A pergunta que proponho é a seguinte: excluindo Lula, quem mais transferiu votos para 17.1? Na carta fria dos números, foi Marina Silva e Geraldo Alckmin. A primeira, disparado responsável pela maior transferência, faz parte de um projeto fracassado do laboratório petista de fazer política na base do erro e acerto. O segundo, sem a mesma ligação, foi incapaz de captar para si o sentimento anti-petista, um verdadeiro picolé de chuchu. Bolsonaro não é um resultado dos seus próprios acertos políticos, é um resultado do nosso fracasso. O PT apostou que um retorno às origem dos partido iria frear a alucinação coletiva. Pois, as origens do partido estão tão sepultadas que restou a pá de cal da arrogância. Sim. Um petista é capaz de jogar o país no caos pra provar que o caos existe.

Agora, como convencer um eleitor petista de que ele é responsável pela onda Boso? Não é possível fazer isso, porque a militância petista que restou - mesmo pulverizada - não é dada aos argumentos do empirismo. Eles preferem a dialético do erro e acerto. Ou é o "rouba, mas faz", disfarçado de "eles sempre roubaram". Ou são os slogans preparados em cartilha: "fascista", "nazista". O segundo caso é ponto de confronto com o ideário Bolsonaro, afinal, é a mesma lógica de discurso "petralhas", "esquerdopatas"; o primeiro, nem isso. Jamais o eleitor de uma seita compreenderá que a outra é imune a esses rótulos. Como eu disse, falta empirismo e sobra dialética.

A responsabilidade do atual estado das coisas está presa em Curitiba, mas sua metáfora não. A insistência no desmonte da democracia iniciou com o mensalão, o loteamento para o PMDB, passou pelo boi de piranha Dilma - lembra da ideia estapafúrdia de "constituinte exclusiva"? -, nos deu Temer e, agora, nos dará Bolsonaro. O eleitor petista não faz mea culpa sobre nada disso.

O PT, na sua troca de projeto de governo por projeto de poder, é diretamente responsável pela onda Boso. A tática do "inimigo de estado" funciona, portanto. Conseguiram, afinal, destruir o que havia restado da democracia representativa; apenas, não vai ser da forma que eles gostariam. Nosso atraso que estava calculado em 20 anos, agora precisa de mais quatro para ser recalculado. Bolsonaro fará o pior dos governos? Sem gerência política, experiência e capacidade de entender o Brasil: é muito provável. O PT voltaria na pior das suas faces? Sem a menor dúvida, e pelos mesmos motivos.

sábado, 29 de setembro de 2018

Escolher um presidente não tem nada a ver com isso

Nestas eleições, não se trata de escolher um presidente. Até porque temos coisas muito mais importantes acontecendo. A primeira delas é o fato do conjunto de candidatos apresentados pelos partidos expor o substrato de quem genuinamente somos: uma cambada de sociopatas, desprovida de toda e qualquer ideologia política, conservadora, progressista, esquerda e direita. Nada disso jamais pisou aqui, vivemos só a alucinação entre Russia e USA, como se tudo se resumisse a um filme de ação ruim.

Todos os Brasis estão ali, disponíveis nas urnas, e eles são terríveis, mas concorrem a alguma coisa, menos à presidência da República.

É assim a ponto de haver inclusive candidatos que eram presidenciáveis antes de serem candidatos de um partido; outros candidatos só são candidatos em virtude do partido que representam não ter a primeira alternativa disponível. Há também a excentricidade do PMDB estar representado pela, e primeira vez! O partido do fisiologismo resolveu mostrar um nome, mesmo sabendo que vai ser governo, aconteça o que acontecer, como sempre. O PMDB só governa porque não se elege. Se precisasse de voto para o Executivo, seria extinto.

No primeiro turno, o PMDB se viu obrigado a não saber quem apoiar, e isso é inédito. O PMDB tem um candidato porque não tem um cachorro disponível para encabeçar a chapa. Nem o PSDB! Nem o Podemos! Cada um correu atrás da sua versão de fisiologismo. É como se a lógica do "quero poder, não quero governo", instalada por Francisco de Assis Chateaubriand, fosse relutante pela primeira vez. Como sempre, o Brasil vai perder a oportunidade de tirar uma lição disso.

Não poderia haver uma eleição menos pemedebista do que uma eleição com um candidato do PMDB concorrendo. A ala evangélica fez sucesso com o homem meme. A tentativa de reeditar o caudilismo gaúcho veio do Ceará e, da floresta, o mesmo bichinho oportunista de sempre. Partidos foram mais locados do que nunca e a dificuldade para fechar as chapas em torno do nome dos vices mostrou que todo mundo está concorrendo para perder. Aliás, nunca antes na história dessa republiqueta foi tão barato locar um partido e tão caro subornar um político.

Não é possível que existam jornalistas que se orgulham de serem porta-vozes do caos, do escarnio e do absurdo. Cambada de ingênuos! Ou gazelas, buscando um holofote. Não se trata de eleger um presidente, mas de mostrar como ele é desnecessário, recolham-se a sua tolice.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Bolsonaro e Globo: a convergência dos imbecis


Quem assiste Jair Bolsonaro e bate palma está no mesmo nível intelectual das pessoas que passaram a ser fãs da Globo da noite pro dia. Na real, não tem nada certo acontecendo nesse engodo todo, mas aqui é assim: só idiota encontra ponto de diálogo com idiota. Para o nosso discurso político ser pobre, ele tem que ganhar na loteria.

Se vocês repararem, e se espremer bem espremidinho, vão ver que as ÚNICAS coisas que o Bolsonaro tem a favor dele é a Globo tentando ser progressista e a esquerda tentando ser esquerda. Esse é o teto dos 18% que o Enéas sempre teve. Não passa disso. Só serve para o circo, e que se lasque o pão.

Mas todo este circo, feito sob medida para rede social, não seria necessário seguindo uma regra básica do bom jornalismo e outra do jornalismo marrom, respectivamente: perseguir a imparcialidade não mata ninguém, só frustra; o melhor jeito de deixar um doido se enfocar é dando corda para ele falar. Fomos da convergência digital para a convergência dos imbecis, sem escala.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Diário de Macapá, dia 8

Passou uma semana que estou no extremo norte do Brasil, Macapá, selva amazônica. A cidade não foi feita para a floresta. Tudo que tenta ser urbano é estranho, errado, pouco civilizado por aqui. Vale para tudo mesmo: trânsito, saneamento, arborização, calçadas. Nada disso faz sentido no na garganta da floresta que serve de foz para o maior rio do mundo.

Esta minha mania de criar alterações drásticas na minha vida pode ter chegado ao limite do respeito e medo da amazônia. As coisas aqui não funcionam no ritmo que operam no sul. O Equador não é trópico. A sombra do paraíso é defendido pelo calor do inferno. As pessoas se envolvem nesse ritmo de tempo especial. Festa e música ruim têm prioridade. Só bêbado vale a pena viver debaixo desse sol. A primeira impressão, da madrugada no aeroporto, é de um conjunto de secadores de cabelo ligados nas suas costas. Nada intelectual, produtivo, bonito ou sensível pode ser produzido no meio do stress de tentar se defender do calor. Só dança brega e música ruim tem um sentido imperativo.

Nenhum racionalismo opera acima de 25 graus.

São os rescaldos de tentar construir uma cidade no meio da selva.

Apocalipse Temer, agosto de 2018.