sábado, 9 de novembro de 2019

A agenda Lula livre e a nova bifurcação

Dias Toffoli e seu nada ilibado currículo com ausência de notório saber jurídico foi o todo decisivo que apresentou ao Brasil a tese final da aristocracia jurídica colonial: se você tem dinheiro para recorrer ao Supremo, não precisa cumprir pena nenhuma. Por certo, o satélite eleitoral Lula é o lamentável nome que mais chama atenção e agenda da esquerda não teve sequer a dignidade de manter uma oposição a altura de competir com a inoperância e ineficiência do próprio governo. O resultado disso era bastante evidente, pois não se tratava de se Lula estaria fora das grades, mas quando. A soltura do ex-presidente e chefe de quadrilha veio no preciso momento no qual a oposição passou a fazer falta para o funcionamento das instituições, inclusive do Supremo.
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Afinal, estamos diante de uma nova bifurcação na polaridade do jogo político? A resposta é: depende. Só quem pode estabelecer essa nova bifurcação é o próprio líder petista. Entre as alternativas, está a tentativa de estabelecer uma nova liderança, fazer campanha e reeditar um PTlight com o centrão. Esse primeiro movimento dependeria da inteligência política que Lula tem e da sua capacidade de articulação. Não é impossível, mas esbarra no perfil do quadrilheiro aposentado que tem seu ego concorrendo com a inteligência. Aí tem a segunda alternativa: Lula é candidato em 2022 e termina de afundar o PT se for eleito, com a mesma força que o faria caso não fosse.

O Brasil estará diante de uma nova polarização, especialmente porque precisamos levar em conta a completa impossibilidade de que Lula consiga movimentar sua militância com o discurso Lulinha paz e amor que o fez presidente, agradando a gregos, troianos e a Fiergs.

Toda militante de esquerda que tenta distinguir os currículos de Bolsonaro com o de Lula, a partir de agora tende a falhar. Não há mais em cena dois candidatos ou potenciais mandatários do executivo, mas duas concepções bizarras e extremistas de Brasil. Não são mais homens, são ideias espúrias, fracassadas ou por falta de projeto ou por excesso de projeto. Lula sai na frente apenas porque tem muito mais habilidade em ignorar a ideia do bolsonarismo, enquanto Bolsonaro vai precisar aprender a conviver com o político que o fez político. Nunca, desde Osvaldo Aranha e Getúlio Vargas um político dependeu tanto de outro como Bolsonaro depende de Lula. Fato é que o primeiro não sabe se comportar como rede Glogo, ignorando o segundo; e, por mais que possa tentar, o peixe que não morre pela boca, morre tentando defender o cardume. Levando em conta que o cardume dos Bolsonaros é aquilo que é nas redes sociais, é inevitável que ele esteja completamente perdido.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Macron foi desmascarado: é comunista!

Emmanuel Macron, o maior líder conservador do continente europeu, foi desmascarado: é comunista! A denúncia veio da Abin, a agência brasileira de arapongagem. Depois de muita pesquisa no Feici, os espiões do Palácio do Planalto e a inteligência militar brasileira (desculpem, é eles que se batizaram assim), finalmente, desbaratou a maior fraude eleitoral da história recente da Europa. Macron é, sim, comunista!

Resultado de imagem para Brigitte Marie-Claude MacronAo que tudo indica, Macron se tornou comunista há muitos anos. Sua ligação com o martelo e a foice remontam ao tempo do ensino médio, quando tentou pegar a professora. Isso mesmo! Diferente do que pensam os menos solertes, Macron não se tornou comunista nos últimos cinco dias por insistir em defender o dinheiro do povo francês depositado no Fundo Amazônia. Muito menos, ele se tornou comunista quando sugeriu que o Brasil deveria ter um presidente que se comportasse com a dignidade que o cargo exige. Macron também não se tornou comunista quando deu atenção para as imagens de satélite e disse que o Brasil tinha a responsabilidade de fazer algo para conter incêndios na maior floresta tropical do planeta.

Macron, pasmem, se tornou comunista quando casou com uma mulher mais velha do que ele. E, acreditem, Macron não a trocou pela primeira puta, depois de surgirem as primeiras rugas na cara da esposa, como muitos conservadores acham de boas fazer.

Brigitte Marie-Claude Macron, 66 anos de idade (25 a mais que o marido), foi professora de ensino médio. Sem histórico de ligação com milicianos, é uma primeira dama relativamente discreta. Ela tem três filhos do casamento anterior. Brigitte fez de Macron comunista. E agora ele se soma a lista de comunistas que incluem o Papa, os diretores da Nasa e todos os outros comunistas que sabotam o governo do mito.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Presidente não tem babá

Ninguém, nem mesmo Onix Lorenzoni, o aeroporto de mosquito com implante de cabelo, tutela a fala de um presidente. Tutelou-se a fala e o movimento de bufanismo durante tanto tempo que se esqueceu que presidente da república tem voz e caneta. Quando o presidente fala, a economia se movimenta, o investimento se retrai ou se expande. Ninguém tutela a fala de presidentes. Eles são responsáveis direitos por tudo que falam. Quando Bozo xinga governadores do nordeste aleatoriamente, não é apenas o preconceito e a burrice falando, o resultado vem. Na Bahia, a PM, por ordem do governador, não oferece segurança para visitas e inaugurações presidenciais. Na ciência, a ordem do cala a boca não cola, "hierarquia e disciplina" só tem vez com base em dados e os gringos que mandam no fundo Amazônia recolhem sua grana, deixando o investimento na agricultura e indústria de lado. Ninguém tutela a fala de presidente. Nem ele mesmo.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Na esteira dos idiotas úteis

O bolsonarista de segundo turno (que nem o título de bolsonarista merece, pobre coitado!) foi o primeiro a desembarcar. Como ele é considerado pelo governo um eleitor de ocasião, pode ser visto como 'idiota útil'. Numericamente, será deles que o mandatário do cargo de presidente da república vai precisar para continuar. A tentativa [travestida de estratégia] do governo é de criminalizar a política feita no Congresso, mas com o material empírico criminoso vem da milícia montada na própria famiglia de nada serve. Outro elemento que prejudica a cartilha montada de ataque ao legislativo é o sobrevoo do olhar que naturalizou a "renovação", com o PSL passando de UM para 52 deputados. Criminalizar a velha política fazendo parte dela não é agora só um número abstrato de quase 30 anos mamando nas tetas dos cofres públicos, é a institucionalização da incompetência como vitrine eleitoral. Nada disso dá votos, mesmo que a campanha ainda não tenha terminado.

Em meio a isso, o pouco que se faz com o poder da caneta é insólito: decretos que não vingam, liberações que nada liberam (cadeirinha de bebês, pela alma da burrice! Quando diabos um chefe de deveria estar preocupado com isso?!) Bolsonaro reina para o último círculo de abobados, mas não governa para ninguém. E, na falta de governo, sobra espaço para o norma da velha política. A compra de uma frota de carros passando dos R$ 7 milhões para transportar milicianos e idiotas úteis da família real faz mais contra Bolsonaro em uma única canetada do que faz o maior número de decretos esdrúxulos e das tentativas de governar legislando desde Collor. O governo ainda tem o apoio da mídia tradicional e ordeira, que gosta de ver novelas globais e faz campanha pela reforma de Guedes. Com o fracasso das reformas, especialmente a previdenciária, sobre a qual o próprio presidente mostra nada entender, nada sobrará para a queda. A reforma na mão do Congresso é a certeza de que privilégios não vão ser combatidos e, nem pra disfarçar que gostaria de ver privilégios combatidos, esse governo serve. O resultado será sangue, suor e as lágrimas dos idiotas úteis. Afinal, nenhuma agenda do governo é daquelas que dá votos e 57milhões de idiotas úteis não é quase nada para 2022. A ignorância é um método eleitoral eficiente para se chegar ao poder em um país de ignorantes, mas não para se manter lá.

sábado, 16 de março de 2019

O pior tipo e proselitismo


Como a maior parte das coisas na história do pensamento humano, o proselitismo encontra uma diferença de graus e não de eespécie Por certo, existe proselitismo de qualidade. Hobbes e Rousseau, patriarcas do contratualismo, foram proselitistas, tentaram vender ideias morais disfarçadas de conteúdo político abstrato. Não é para eles que empregamos o termo proselitismo no sentido mais usual. O prosélitos que tratamos como problema é um ato catequético. É o esforço sistemático de distribuir conteúdo moral sem relações causais imediatas em absolutamente qualquer evento, político ou não. 


Resultado de imagem para suzanoAs redes sociais instalaram um novo nível de proselitismo, o meme. O meme inibe o constrangimento que teríamos em tornar uma ideia proselitista verbo. Meme, fundamentalmente, não é verbo nem palavra, muito menos ideia. Ele é a expressão de um conteúdo catequético e sentimental, tendo como base fundante a oportunidade. As oportunidades surgem dos mais diferentes modos, políticos ou não. Quando oito crianças são mortas em uma escola no interior, a oportunidade para o proselitismo está armada e o proselitista não tem freio moral para distribuir seu conteúdo insensível e irracional: ele profere e distribui xilogravura de feira sobre o caixão e a dor alheia, sem pudor, pois essa é a principal característica de um proselitista.

Quando major Olímpio, um político sem freio moral ou integridade intelectual, sugere que os professores deveriam estar armados nas escolas, em um país onde o preço de uma arma é duas ou três vezes maior do que o salário de um professor; quando a esquerda sugere que devemos banir o registro de armas do país, para evitar crimes cometidos por armas buscadas no contrabando e na ilegalidade, enterramos nosso debate em torno de qualquer assunto, desrespeitamos a dor dos familiares envolvidos e mostramos que não temos condições de administrar nosso próprio futuro. Estamos na escala argumentativa política mais baixa, a do proselitismo.

Para nosso debate político ser pobre, ele precisa ganhar na loteria da falta de nexo causal.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Nixon vs. Bolsonaro


Resultado de imagem para frank langella oliver plattUma das cenas mais emblemáticas do filme Frost vs. Nixon é quando o ator que interpreta o único presidente americano na história a renunciar, Frank Langella, cumprimenta os jornalistas Bob Zelnick e James Reston Jr., interpretados por Oliver Platt e Sam Rockwell. Ambos são ferrenhos adversários intelectuais e políticos de Nixon, responsáveis por um número massivo de publicações e até um livro emblemático a respeito do caso Watergate, material altamente incriminatório sobre a participação de Nixon na compra de influência que levou a sua renúncia. O ex-presidente jamais havia admitido sua participação no caso. A entrevista o fez admitir.

Dado os spoilers, não do filme, mas da história, seguimos.

Zelnick e Reston Jr. acabaram nutrindo um ódio feroz pela figura de Nixon. Os jornalistas representam homens do jornalismo investigativo vigoroso que o USA tinha na década de 70, autoridades no caso Watergate e foram contratados pelo apresentador de TV David Frost, interpretado por Michael Sheen, para ajuda-lo na entrevista que levaria Nixon a admitir seus crimes. Confiantes pela sua credibilidade, conhecimento político e sabendo até o número de sapato da mãe de Nixon, eles foram apresentados ao ex-presidente horas antes da entrevista e, pasmem, estremeceram ao primeiro contato. O que Nixon fez para deixar os dois algoses sem palavras? Nada. Nixon representava o poder político de Maquiavel, mesmo fora da presidência. Reston Jr. jamais havia visto Nixon pessoalmente antes e estremeceu ao primeiro contato. Os relatos que levaram à produção do filme dizem que Nixon estendeu a mão se dizendo ansioso para conhecer Reston Jr., mas o jornalista só conseguiu dizer "mister president" e esse foi o fim do primeiro contato.

O poder gera um tipo intimidador de respeito. Isso é parte fundamental da tese maquiavélica de que é preferido ser temido do que amado, caso não se possa ser temido e amado ao mesmo tempo. Dilma foi uma presidente histérica, gritona, desorganizada e sem o menor respeito por si mesma e seus assessores. Falta de elegância que não combina nada com poder político. O resultado foi o impeachment. Temer, quando presidente do Senado, havia sido um homem poderoso. Esse poder foi diluído e pulverizado dentro do PMDB para preparar a sua aposentadoria fora das grades. Terminou como um presidente sem absolutamente nada de poder político e, se tivesse mais um ano a frente do Palácio do Planalto, não lhe sobraria nem a dignidade mais basilar. Lula e Fernando Henrique foram os últimos presidentes politicamente poderosos que o Brasil teve. Foram as últimas figuras com habilidade política suficiente para estremecer seus algoses. A pergunta desse momento histórico confuso é: que tipo de poder político tem Bolsonaro?

Bolsonaro não tem poder político apenas pela falta de sua habilidade política. Trata-se também de uma masculinidade frágil e vulnerável a todo tipo de ataque público. Ele não perde tempo, inclusive, exigindo respeito público, como fazia Dilma, porque sabe muito bem que isso não é possível. Logo, o apoio de um tipo de idolatria que se identifica com suas fragilidades é seu porto seguro. Se você não se entusiasma com um patriotismo de ocasião, cada palavra de Bolsonaro tem o mais profundo som do medo. O resultado da falta de respeito vai ser um governo com o poder loteado para o congresso e o presidente não passará de um twitteiro oficial, como temos nos Estados Unidos de hoje, onde não se pode mais fazer nem a jardinagem da Casa Branca por falta de inteligência em pagar os salários dos funcionários e honrar contratos básicos.

Enquanto for assim, Bolsonaro representará o medo e a fragilidade de um país covarde, como ele. Com apoio cintilante da idiocracia lulista que o colocou no poder, ele é o melhor representante para este momento do Brasil. E as alterações que o mundo sofreu contra o poder político em geral, exigindo que governantes buscassem respeito por outros mecanismos alheios ao mero poder político sem intimidações, são tão significativas. Todos aqueles que lutarem contra o tal 'globalismo' não vão parecer de um bando de velhotas histéricas exigindo a proibição de chuva nos domingos de missa. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A profecia Dilma: todo mundo vai perder

Pela primeira vez, em uma eleição, eu tenho o direito de estar mais preocupado com quem perderá do que com quem vai governar o país. Afinal, ser bom perdedor não é uma característica dos fracassados. Nosso fracasso federalista é traduzido em rancor, ódio e 7x1.

Hoje, o PT tem uma máquina de movimentar o terror adormecida. Por certo, qualquer movimento dessa máquina, agora, só projeta perda de votos. CUT, MST, e outras frentes de amparo ao escárnio ficarão como estão, ao menos, por ora.

Em 2019, tudo pode mudar.

Resultado de imagem para nao importa quem vai ganhar ou perderJá os focos da organização terrorista em torno da seita Bolsonariana não são administráveis com emails e telefonemas. É uma organização terrorista desorganizada, mas qualquer permissividade estatal pode transformar ela no que hoje é exatamente a CUT, MST etc. No fundo, administrar esse prejuízo é a única coisa que está em jogo, enquanto o país irá a passos largos para o agravamento do buraco econômico e institucional.

Todo resto e conversa pra boi dormir. Nada se pode prover sobre economia, segurança pública, saúde ou educação. Estamos na campanha política da descampanha.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Quem movimentou a máquina de transferência de votos 17.1?

Para poder responder essa pergunta é preciso fazer de conta que Lula nunca existiu. Digo isso, porque é evidente que o presidente-presidiário foi o maior mecanismo de contra-transferência de capital político desta eleição. O eleitorado 17.1 é composto não só pelos religiosos conservadores, mas pelos frustrados sociais. O cara comprou um carro financiado e agora viu que precisa pagar o preço dele na gasolina, o assalto à Petrobrás pagou as primeiras parcelas do Fiat Palio, mas a conta veio depois. A pergunta que proponho é a seguinte: excluindo Lula, quem mais transferiu votos para 17.1? Na carta fria dos números, foi Marina Silva e Geraldo Alckmin. A primeira, disparado responsável pela maior transferência, faz parte de um projeto fracassado do laboratório petista de fazer política na base do erro e acerto. O segundo, sem a mesma ligação, foi incapaz de captar para si o sentimento anti-petista, um verdadeiro picolé de chuchu. Bolsonaro não é um resultado dos seus próprios acertos políticos, é um resultado do nosso fracasso. O PT apostou que um retorno às origem dos partido iria frear a alucinação coletiva. Pois, as origens do partido estão tão sepultadas que restou a pá de cal da arrogância. Sim. Um petista é capaz de jogar o país no caos pra provar que o caos existe.

Agora, como convencer um eleitor petista de que ele é responsável pela onda Boso? Não é possível fazer isso, porque a militância petista que restou - mesmo pulverizada - não é dada aos argumentos do empirismo. Eles preferem a dialético do erro e acerto. Ou é o "rouba, mas faz", disfarçado de "eles sempre roubaram". Ou são os slogans preparados em cartilha: "fascista", "nazista". O segundo caso é ponto de confronto com o ideário Bolsonaro, afinal, é a mesma lógica de discurso "petralhas", "esquerdopatas"; o primeiro, nem isso. Jamais o eleitor de uma seita compreenderá que a outra é imune a esses rótulos. Como eu disse, falta empirismo e sobra dialética.

A responsabilidade do atual estado das coisas está presa em Curitiba, mas sua metáfora não. A insistência no desmonte da democracia iniciou com o mensalão, o loteamento para o PMDB, passou pelo boi de piranha Dilma - lembra da ideia estapafúrdia de "constituinte exclusiva"? -, nos deu Temer e, agora, nos dará Bolsonaro. O eleitor petista não faz mea culpa sobre nada disso.

O PT, na sua troca de projeto de governo por projeto de poder, é diretamente responsável pela onda Boso. A tática do "inimigo de estado" funciona, portanto. Conseguiram, afinal, destruir o que havia restado da democracia representativa; apenas, não vai ser da forma que eles gostariam. Nosso atraso que estava calculado em 20 anos, agora precisa de mais quatro para ser recalculado. Bolsonaro fará o pior dos governos? Sem gerência política, experiência e capacidade de entender o Brasil: é muito provável. O PT voltaria na pior das suas faces? Sem a menor dúvida, e pelos mesmos motivos.

sábado, 29 de setembro de 2018

Escolher um presidente não tem nada a ver com isso

Nestas eleições, não se trata de escolher um presidente. Até porque temos coisas muito mais importantes acontecendo. A primeira delas é o fato do conjunto de candidatos apresentados pelos partidos expor o substrato de quem genuinamente somos: uma cambada de sociopatas, desprovida de toda e qualquer ideologia política, conservadora, progressista, esquerda e direita. Nada disso jamais pisou aqui, vivemos só a alucinação entre Russia e USA, como se tudo se resumisse a um filme de ação ruim.

Todos os Brasis estão ali, disponíveis nas urnas, e eles são terríveis, mas concorrem a alguma coisa, menos à presidência da República.

É assim a ponto de haver inclusive candidatos que eram presidenciáveis antes de serem candidatos de um partido; outros candidatos só são candidatos em virtude do partido que representam não ter a primeira alternativa disponível. Há também a excentricidade do PMDB estar representado pela, e primeira vez! O partido do fisiologismo resolveu mostrar um nome, mesmo sabendo que vai ser governo, aconteça o que acontecer, como sempre. O PMDB só governa porque não se elege. Se precisasse de voto para o Executivo, seria extinto.

No primeiro turno, o PMDB se viu obrigado a não saber quem apoiar, e isso é inédito. O PMDB tem um candidato porque não tem um cachorro disponível para encabeçar a chapa. Nem o PSDB! Nem o Podemos! Cada um correu atrás da sua versão de fisiologismo. É como se a lógica do "quero poder, não quero governo", instalada por Francisco de Assis Chateaubriand, fosse relutante pela primeira vez. Como sempre, o Brasil vai perder a oportunidade de tirar uma lição disso.

Não poderia haver uma eleição menos pemedebista do que uma eleição com um candidato do PMDB concorrendo. A ala evangélica fez sucesso com o homem meme. A tentativa de reeditar o caudilismo gaúcho veio do Ceará e, da floresta, o mesmo bichinho oportunista de sempre. Partidos foram mais locados do que nunca e a dificuldade para fechar as chapas em torno do nome dos vices mostrou que todo mundo está concorrendo para perder. Aliás, nunca antes na história dessa republiqueta foi tão barato locar um partido e tão caro subornar um político.

Não é possível que existam jornalistas que se orgulham de serem porta-vozes do caos, do escarnio e do absurdo. Cambada de ingênuos! Ou gazelas, buscando um holofote. Não se trata de eleger um presidente, mas de mostrar como ele é desnecessário, recolham-se a sua tolice.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Bolsonaro e Globo: a convergência dos imbecis


Quem assiste Jair Bolsonaro e bate palma está no mesmo nível intelectual das pessoas que passaram a ser fãs da Globo da noite pro dia. Na real, não tem nada certo acontecendo nesse engodo todo, mas aqui é assim: só idiota encontra ponto de diálogo com idiota. Para o nosso discurso político ser pobre, ele tem que ganhar na loteria.

Se vocês repararem, e se espremer bem espremidinho, vão ver que as ÚNICAS coisas que o Bolsonaro tem a favor dele é a Globo tentando ser progressista e a esquerda tentando ser esquerda. Esse é o teto dos 18% que o Enéas sempre teve. Não passa disso. Só serve para o circo, e que se lasque o pão.

Mas todo este circo, feito sob medida para rede social, não seria necessário seguindo uma regra básica do bom jornalismo e outra do jornalismo marrom, respectivamente: perseguir a imparcialidade não mata ninguém, só frustra; o melhor jeito de deixar um doido se enfocar é dando corda para ele falar. Fomos da convergência digital para a convergência dos imbecis, sem escala.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Diário de Macapá, dia 8

Passou uma semana que estou no extremo norte do Brasil, Macapá, selva amazônica. A cidade não foi feita para a floresta. Tudo que tenta ser urbano é estranho, errado, pouco civilizado por aqui. Vale para tudo mesmo: trânsito, saneamento, arborização, calçadas. Nada disso faz sentido no na garganta da floresta que serve de foz para o maior rio do mundo.

Esta minha mania de criar alterações drásticas na minha vida pode ter chegado ao limite do respeito e medo da amazônia. As coisas aqui não funcionam no ritmo que operam no sul. O Equador não é trópico. A sombra do paraíso é defendido pelo calor do inferno. As pessoas se envolvem nesse ritmo de tempo especial. Festa e música ruim têm prioridade. Só bêbado vale a pena viver debaixo desse sol. A primeira impressão, da madrugada no aeroporto, é de um conjunto de secadores de cabelo ligados nas suas costas. Nada intelectual, produtivo, bonito ou sensível pode ser produzido no meio do stress de tentar se defender do calor. Só dança brega e música ruim tem um sentido imperativo.

Nenhum racionalismo opera acima de 25 graus.

São os rescaldos de tentar construir uma cidade no meio da selva.

Apocalipse Temer, agosto de 2018.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Poste mijando em cachorro


Resultado de imagem para poste mijando em cachorrosA internet - mais especificamente, as redes sociais - nos ofereceram algo inédito, antes visto apenas em alguns filmes violentos, criados para chocar. É a estranha sensação de que um poste pode mijar em um cachorro.

O status quo dessa excentricidade envolve o fato de que chegaram nas plataformas digitais uma geração atrasada em absolutamente tudo, inclusive, na capacidade de fazer pesquisas elementares, na própria internet. Gente que nunca saberia usar um e-mail foi colocada diante de plataformas amigáveis através de smart phones. Tão smarts que, inclusive, oferecem ao proprietário a oportunidade de não precisar fazer absolutamente mais nada a não ser distribuir likes e o, cada vez mais popular, crazy share: a mania louca de não produzir nada, mas reproduzir tudo com um aval de concordância, no alto de suas vassouras.

Aliás, bom seria se houvesse vassouras por trás deste movimento de mentecaptos. Na média, a maioria não apenas está apenas na maldita média, mas nunca teve a dignidade de fazer coisas abaixo da média, e isso é realmente algo impressionante. É um povo sem nenhum talento para trabalhos manuais, gente que nunca cortou uma grama, mas se sente parte do mundo da natureza, porque fez uma "pós-ead em separação de lixo". Isso os transforma em entidades muito acima do gari e, eventualmente, os transforma em fiscais de toda dubiedade.

A média, graças às redes sociais, aprendeu o que é um ad hominem, mesmo que não tenha tido a capacidade de reconhecer a diferença entre uma premissa contraditória e uma contrária dentro do quadrado lógico aristotélico. O resultado é o que a gente está vendo: todo mundo se transformou em fiscal de cu. Duas gerações inteiras de óbvios e pueris que exige "coerência" de pessoas que eles sequer teria oportunidade de conhecer, não fossem as redes sociais.

Chegamos num momento excêntrico onde a grosseira pergunta "você sabe com que está falando?" se tornou algo imperativo, pois não se trata de alguém ser melhor que os outros, mas apenas ser melhor que um conjunto de indigentes que pensa estar acima da média quando não serve sequer para coisas abaixo da média. É o apogeu dos inúteis, onde todos são concurseiros ou criadores de memes. Orientações sobre a vida alheia são a regra e a falta de consistência para levar a própria vida com alguma dignidade é a consequência de uma população inteira sem formação, mas preocupada com a falta de oportunidades, incapaz de criar as suas.

Era isso, meritíssimo. 

domingo, 3 de junho de 2018

"Não tem corrupção no quartel"


Fui comprar umas coisas numa loja de caça e pesca do centro de Porto Alegre e notei uma movimentação diferente. Vários recrutas do Exército comprando a mesma coisa: um "kit para limpar EDC", segundo me informou um deles. Fiquei curioso e – intrometido que sou! – pedi para ver do que se tratava. Basicamente, uma latinha com alguns utensílios de limpeza, óleo, flanelas, escovas etc. Nada muito caro, nem muito barato. Coisas que poderiam estar na caixa de pesca de qualquer um. (tipo isso da foto)

Eles haviam recebido o soldo naquele mesmíssimo dia e precisavam se apresentar para instrução com aquela quinquilharia comprada no próximo dia de serviço.

A primeira e – óbvia! – pergunta que me fiz foi a seguinte: “por que diabos o Exército não fornece uma porcaria tão simples para eles?” Ignorei a primeira pergunta, porque não queria ficar dando voltas mentais. A segunda pergunta eu repassei para um dos recrutas: “onde tem pra vender esse kit?" "Só aqui", o moleque respondeu. Ou seja, no centro inteiro de Porto Alegre, só uma loja vende aquela latinha montada com aqueles utensílios. "Não dá pra comprar pela internet porque não chega a tempo de se apresentar de serviço na segunda", me explicou outro deles.

A minha história acabou.

Fiquem vocês com as conclusões sobre a idoneidade e lisura de um oficial do Exército que manda uma meia centena de recrutas comprar algo que só tem para vender em uma única loja no centro de Porto Alegre. Quem ganha o quê com isso?

Segundo uma meia dúzia de tias minhas, no feicibuqui, as Forças Armadas são um conjunto de instituições sérias e idôneas. Eu compreendo perfeitamente a frustração alheia. Compreendo a existência de debiloide pueril que acha que esse tipo de patriota é super-adequada para governar um país. O fato é que eles não conseguem ser honestos sequer entre eles mesmos. E só vai negar esse fato quem nunca pisou em um quartel. Eu desafio qualquer praça ou oficial temporário que tenha servido: venha me contar a história de um ano de atividade militar, sem JAMAIS ter presenciado uma ação flagrantemente corrupta!

Ouvir as pessoas falarem bocabertices como se estivessem se referindo ao exército da Nova Zelândia, Austrália ou Canadá não é apenas chocante, é constrangedor. Nossos regimentos, batalhões, bases aéreas e navais são comandadas por brasileiros e - pasmem! - estão cheias de brasileiros! Como vocês sabem, onde houver um único brasileiro sempre haverá roubo, escarnio e pilantragem. É o nosso DNA. Só servimos para contraexemplo. 

Boa semana a todos e SELVA! 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Pega fogo, cabaré!

Projetos nos quais eu ando envolvido:

Sem Gastar Papel e Tinta. Trata-se de uma live on line (com o perdão da redundância) colocada no ar, por ora, as terças-feiras com o objetivo de discutir temas com alguma liberdade. Curta a página e você pode acompanhar quando a gente entrar no ar. Fica hospedado no sitezinho do tio Zuck. Acesse, curta, acompanhe.

Tenho postado sistematicamente meus comentários semanais de rádio em um canal do Sound Cloud. Você pode ouvir, seguir, etc.

Também tenho estado muito ocupado com coisas de trabalho que rendem o pão de cada dia.

Desculpem pelo abandono deste blog.