segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Capeta na Suíça
sábado, 4 de fevereiro de 2012
As Redes Sociais e o Prazer
Acabo de ler o que seria considerado uma piada na internet. Era extremamente ofensiva e preconceituosa. Fiquei me perguntando: eu poderia estar fazendo sexo, assistindo a um filme, comendo um bolo de chocolate ou brincando com meu cachorro e considerei uma imensa perda de tempo ter ficado em frente ao computador e ler aquilo.
A internet é uma absoluta disseminadora de idiotices. Não é a única, é verdade, mas é inegável a deturpação do uso deste veículo. Desde a época do inofensivo e-mail, era comum recebermos correntes do tipo “repasse a 10 pessoas e verá seu desejo se realizar como mágica”. Muitos dos que se utilizaram deste expediente para realizar uma ambição devem estar no mínimo decepcionados.
Hoje recebemos links com as notícias mais desagradáveis, as fotos mais nojentas e as piadas mais imbecis, e achamos tudo isso consequência normal da modernidade. Estamos imersos em frivolidades. Mas não consigo achar isso normal. A internet tem que ser usada como ferramenta de informação e, por que não, de diversão. Mas não podemos abandonar o lado crítico sobre o que estamos consumindo através da tela do computador. Não é feita uma reflexão sobre o que recebeu, repassando-se em um clique para todos os seus “amigos” links sem conteúdo ou utilidade. As pessoas, de fato, correm sério risco de se tornarem menos inteligentes com o uso das redes sociais. Fazendinha feliz faz você acumular pontos, mas não faz você acumular nada na vida real.
Sinto falta do tempo em que ganhávamos cartões – de papel – e esse saudosismo não é exagerado, pois não descarto a realidade de que a internet será – se já não é - o grande veículo de comunicação, superando televisão e rádio. Mas se você pode ter o contato real, trocá-lo pelo virtual é se esconder da vida. É frustrante a idéia de não jogar mais cartas a não ser na tela de um notebook, ou deixar de fazer uma janta romântica com seu par para ver o que está acontecendo no Orkut e no Facebook.
O prazer real não pode ser substituído pelo virtual, pois o prazer virtual não existe. O prazer deve ser sentido na pele, na boca; deve ser experimentado. Enganam-se os internautas que pensam que se divertiram ao passar três horas da sua noite em frente a um computador. Ver um filme com pipoca, ao lado dos amigos, isso sim é vida. Second Life, não.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Geada em Santa Rosa
Meu colega de imprensa Donato Heinen, laborador de Santa Rosa, habitante de Santo Cristo, mandou fotos da geada. Como sou um moçoilo urbanizado, não vejo uma lavoura há um bom tempo. Prefiro o inverno. Gosto muito do inverno. Respiro melhor.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Templo de Salomão. Esta obra não tem nada haver com Deus
Mexi e me remexi no sofá ao ver a notícia, na TV Record, da construção de uma réplica do Templo de Salomão em São Paulo, pela Igreja Universal. Uma música emocionante, digna de filmes herculeanos, apresentação de números altíssimos, algo como 28 mil metros quadrados de concreto e outros números desinteressantes, mas que dão uma credibilidade incrível à matéria. Sonora com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab que diz: "uma obra com grande valor cultural e que valoriza a diversidade étnica e religiosa de nosso país". Sonora também com Edir Macedo, que disse: ... aff, sabemos o discurso de um pastor!
Podem até pedir para que as religiões sejam respeitadas. No entanto, não pude deixar minha inquietação de lado ao ver essa matéria. É um absurdo uma igreja pensar em construir algo assim enquanto... ah, porra! Todo mundo já sabe: miséria, miséria, miséria! Todo mundo já conhece essa realidade. Caraca, será que as pessoas não veem isso? Lá no fundo, será que os próprios crentes conseguem achar que isso é um grande feito para a cidade de São Paulo, para o Brasil ou para a humanidade? A espiritualidade não está num templo, não está em grandes obras, não.
Dias atrás, vi outra matéria sobre a retirada de desabrigados de um antigo prédio desocupado do INSS, aqui no Rio de Janeiro. E é assim: constroem templos com valores "extralionários" (neologismo espontâneo) enquanto poderiam dar casas para muitas e muitas famílias. Parece chover no molhado discursar sobre os contrastes, mas é preciso de não se calar. É comum vermos injustiças e mau uso de dinheiro por parte de autoridades e poderosos, mas não podemos nos acostumar com isso.
Quero destacar aqui que não estou falando de religião, apesar dessa construção estar intrinsecamente ligada com a prática de uma, em específico. Respeito a decisão religiosa de cada um, mas eu considero uma afronta esse tipo de investimento (mesmo não sendo público). Uma afronta aos miseráveis em nossa sociedade e que são cruelmente julgados quando decidem entrar para o crime após perceberem que os poderosos lhes dão às costas. Eles devem ficar muito indignados, devem ficar com muito ódio, devem ficar muito violentos. E as respostas a Grandes Construções, como essa, estão sendo diariamente e incansavelmente mostradas na própria TV Record, que sabe explorar a violência como ninguém, mas isso já é outro papo.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Pesquisa
A amiga Ana Zyk está trabalhando com essa pesquisa aí. Ajude-a mandando e-mail, como indicado. Resultados, em breve.
Olá, amigos, tudo bem? Eu sou jornalista e estou escrevendo um artigo sobre a "Felicidade". Muito mais do que a observação, a própria vivência e a conceituação desta palavra, quero entrevistar o maior número de pessoas possível em diferentes grupos.
Gostaria de lhe pedir que, ao responder este pequeno questionário, esqueça dos bens materiais alcançados ou não, de sua graduação acadêmica, do seu 'status' social e profissional e outros itens que possam influenciar a sua reflexão. Quero que vá um pouco mais fundo e seja sincero: como naqueles momentos em que você está sozinho e se permite pensar e ser o que quiser.
Não é necessário se identificar, apenas diga a idade e seu sexo.
Não tenha pressa ao responder, pois eu não tenho pressa ao escrever. O artigo será escrito conforme irei recebendo as respostas.
O email para enviar as respostas é: anazyk@yahoo.com.br. Eu lhe sseguro que não vou divulgar seu email e nem qualquer outro dado. Apenas usarei seu endereço para lhe enviar o artigo quando estiver pronto.
Agradeço desde já sua colaboração!
1) Você é feliz?
2) Você acredita que as pessoas ao seu redor: família, colegas de trabalho, vizinhos, amigos, etc são felizes?
3) Como você conceitua a felicidade?
4) Você acha que o mundo está feliz?
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Ilha da Madeira devastada
Um dia, que esperamos não muito distante, a imagem desta baía em ruínas, soterrada hoje em lama e pranto, há-de dar lugar, de novo, à paisagem verdadeira. Passaremos deste inverno intransigente e funesto à clemência de uma estação que devolva ao Funchal a sua luz.
As buganvílias voltarão a estender placidamente sobre as ribeiras os seus braços brancos, rosa, cor-de-vinho; a árvore de fogo do Largo do Colégio levantará mais alto o seu deslumbre; os Jacarandás repetirão o assombro colorido; as Tipuanas desdobrarão, nos inícios de Junho, um incrível tapete amarelo frente a São Lourenço ou na subida de Santa Luzia.
Esperamos que, num tempo não distante, se possa reconhecer, de novo, a limpidez do traçado atlântico do centro, as ruas confusamente populares, o arabesco do mercado, o mesmo desenho de cheiros, a mesma mescla de sonoridades, o brando silêncio que nas praças tem o seu quê de familiaridade tímida, quase cerimoniosa.
Encravado na forma de uma concha há cinco séculos, burgo marítimo de referência, com construção fantasiosa, o Funchal foi a primeira cidade europeia nascida fora da Europa. O resultado é um património humano e urbanístico únicos. Evoca, é claro, o modelo de algumas cidades continentais, mas já é outra coisa, como acontece aos territórios de fronteira. É uma cidade reservada e extravagante, cosmopolita e primitiva, enérgica e indolente. Tanto como outras, mas diferente, de uma maneira que é só sua. Por exemplo, em certas horas vazias, as inúmeras varandas terrestres espalhadas pelas encostas parecem colocadas num imenso navio como os que muitas vezes ali aportam, e sente-se (isto é real) que toda a cidade flutua.
O Funchal é, ainda que isso seja escassamente recordado, uma cidade literária, como Trieste ou Marraqueche: ali não apenas nasceram Edmundo Bettencourt, Cabral do Nascimento, Herberto Helder ou Ana Teresa Pereira, nasceram os seus universos.
Conta-se que o poeta António Nobre gravou a canivete numa árvore do Funchal: “sede de luz como que de relâmpagos
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Uma noite na ópera
Elton Schimo, de Santa Rosa
À chegada, faltando ainda uma boa pernada até o Centro Cívico, já se fazia presente, sem cerimônia alguma, o odor característico - e deveras enjoativo, se me permitem - das popcorns amanteigadas, parte indissociável do american way of movie life que contaminou o planeta. Vencida essa pequena intempérie, eis que surge, servilmente estendido, ele, o tapete vermelho, símbolo de pompa e circunstância que adorna festivais e estreias cinematográficas onde quer que aconteçam. Pelo jeito, o Santa Rosa Mostra Gramado não estava para brincadeiras.
Tapete devidamente percorrido, adentramos no teatro ao som da Orquestra Sesi Santa Rosa, que há pouco iniciara seu recital (a fria quinta-feira de 24 de setembro ia lá pelas oito e quarenta da noite). E então uma belíssima surpresa: centenas de pessoas enchiam de calor e vida nossa grande casa de espetáculos. Poltronas vazias escasseavam. Maravilha!
Um parêntese: pena que o som de nossa Orquestra, propagado do palco sem o auxílio da eletricidade, precisasse disputar a atenção da plateia com um fiapo de ruído que escapava de uma das tubulações do ar condicionado. Outro parêntese: bendito ar condicionado Até que enfim!
Mas tudo bem, o baile segue. Encerrado o concerto - com um pot-pourri de trilhas hollywoodianas -, o reconhecimento do público carimbou o acerto da escolha. Aplausos em pé. Próximo ato: sobem ao palco autoridades e organizadores do evento para, como de praxe, fazerem uso da palavra. Satisfação, agradecimentos e choro.
Logo após, mais algumas doses da prata artística da casa. Dois grupos de dança, a saber, Santa Rosa em Dança e Movimentos, revezam-se no tablado por quatro coreografias. O público curte, vibra, torce. Aplaude em pé todas as performances. Seria este o ponto alto da noite? Provavelmente sim. Ah, o som tava no talo, vários decibéis acima do necessário.
De volta às palavras. Desta vez sobem ao palco os convidados especiais da Mostra: atores, produtores e diretores de cinema; as estrelas, portanto (confesso aqui minha santa ignorância. A única figura que me era familiar atende por Anderson Farias, cineasta e meu amigo). Pontos recorrentes de suas falas: agradecimentos gerais, a crença num cinema brasileiro, a qualidade das performances artísticas recém apresentadas e a emoção das autoridades. O público retribui os afagos.
A vez do cinema
Pano rápido e vamos ao que deveria interessar. Teatro às escuras, a tela recebe a projeção (via dvd) do curta-metragem De Volta ao Quarto 666. O filme registra um depoimento do cineasta alemão Wim Wenders sobre o futuro do cinema. E dialoga com um documentário do próprio Wenders, de 1982, onde ele inquiria vários colegas (Antonioni, Godard, Fassbinder, Spielberg, etc.) sobre esse mesmo tema. Tudo é captado em um simples quarto de hotel (Cannes, em 82. Porto Alegre, 2008) e sem muita onda. Sem dúvida, uma bela sacada de Gustavo Spolidoro, o realizador deste De Volta ao Quarto 666.
Uma projeção acanhada (com pouca luminosidade), a fala pausada e "pra dentro" do alemão Wenders - incrível, não?, um alemão falando baixinho -, o tema da "fita" e sua falta de "ação", a necessidade de concentração, tudo isso gerou um contraste brutal com a excitação, o movimento e a "sonzeira" que até então reinavam no ambiente. Não deu outra: parte do público, em número considerável e crescente, começou a abandonar o navio.
A noite alcançava às dez horas, quando, enfim, chegou a vez do melhor longa brasileiro do último Festival de Gramado ocupar espaço e tempo santa-rosense. Corumbiara, documentário resultante da obsessão de um cineasta (Vincent Carelli) e um indigenista (Marcelo Santos) em tentar comprovar um massacre de uma tribo indígena nos confins de Rondônia - e, consequentemente, trazer seus perpetrantes às barras da justiça - é um filme impressionante. Foram mais de vinte anos entre idas e vindas da floresta, batendo de frente contra tudo e todos, para concluir o projeto. O filme foi finalizado. Agora, quanto a fazer-se justiça... já seria esperar demais.
Por aqui, Corumbiara também merecia melhor sorte. Deveria ter sido visto em condições normais de temperatura e pressão: mais cedo, com melhor definição de som, e em versão legendada (por que é que ainda não legendam os filmes brasileiros?). Eu, por exemplo, entendi apenas metade das falas da fita. Mesmo assim valeu muito a pena.
Levando-se em conta todo o contexto - nossa (falta de) bagagem cultural incluída - a debandada geral seria inevitável. E assim o foi. A meia centena de indivíduos que insistiu até o final da projeção também não configura nenhum bando de herois. No geral, de uma forma ou outra, fazíamos parte da empreitada da Mostra.
O último a sair, apagou a luz.
Ainda:
O curta-metragem De Volta ao Quarto 666 pode ser assistido no seguinte endereço
Quanto a Corumbiara, não deixem de vê-lo. Solicitem à locadora, ao Canal Brasil, ao Cinemax. Se for o caso, baixem-no!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Necessidades básicas
Elton Schimo, de Santa Rosa
Em meio a uma domingueira sessão do mais recente filme do cineasta alemão Wim Wenders, The Palermo Shooting, dei uma pausa na narrativa da egotrip - travestida de viagem existencial - de um fotógrafo da moda, europeu, por supuesto, para poder espiar mais um artefato cinematográfico parido na vizinha Argentina. Villa, direção de Ezio Massa, era o que ofertava o Canal Brasil em sua tímida janela semanal ao cinema latino-americano. Não me lembrava de ter lido ou ouvido algo sobre o filme ou seu diretor. Fiz minha aposta baseado no conjunto da recente safra cinematográfica do país. E não me arrependi.
Villa acompanha a saga de três jovens descamisados, moradores de uma favela - a villa do título - dos arredores de Buenos Aires, para assistir, pela tevê, a estreia da Argentina na Copa de 2002. Tal como em outros rincões do planeta, a pátria argentina também calça chuteiras. E parece inconcebível alijar-se dessa febre.
Jogo encerrado, Argentina 1x0 Nigéria, gol de Gabriel Batistuta. A Copa iniciava promissora para los hermanos. Aos pibes da villa, porém, o futuro já se fazia mais rarefeito.
Um respiro rápido, uma breve chacoalhada nas pulgas, e outra aposta pedia cobertura: La Zona, filme mexicano a cargo de Rodrigo Plá, iniciaria em alguns minutos no Cinemax. Outro tiro no escuro - um México shooting, talvez.
A zona mexicana refere-se a um condomínio privado, desses que encastela as gentes classe média-alta - "a poucos minutos do centro" - nas metrópoles dos quatro cantos do mundo. Uma zona que se pretende inexpugnável, armada até os dentes - até a alma, mais precisamente -, com polícia, escola, lei e justiça próprias.
Noite dessas, o acaso atrai alguns vizinhos indesejáveis - coincidentemente, também um trio de marginalizados - para o interior do bunker. Segue-se então uma caçada implacável a estes verdadeiros corpos estranhos.
Ao final dessa sessão dupla de realidade latino-americana, escorada na sensibilidade e talento das equipes que produziram estes belos filmes, perdi o interesse pela egotrip europeia que a lente calejada de Wim Wenders enfocava. Nem a ótima sequência de pop songs que o cineasta inoculou em seu personagem-guia - e que faz, às vezes, de trilha sonora - despertou meu apetite pela retomada da fita. Ainda.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Os cinco clichês dos entusiastas do “clubinho douto”
Estudante de História, Universidade Federal do Espírito Santo
sanmaxwell@gmail.com
A excepcionalidade de que goza o jornalismo, dentre as instituições
democráticas, consiste em que seu poder não repousa num contrato social, numa delegação do povo por eleição ou por nomeação com diploma ou por voto de uma lei impondo normas. Para manter seu prestígio, e sua independência, a mídia precisa compenetrar-se de sua responsabilidade primordial: servir bem à população.
CLAUDE-JEAN BERTRAND, A Deontologia das Mídias. Tradução de
Leonor Loureiro. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 1999, págs.
22-23.
Por muito tempo, estivemos analisando as manifestações favoráveis à manutenção da obrigatoriedade do diploma de jornalista no site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), e vimos a maior concentração de disparates em uma só página. O fato é que a turma fenajista quer mesmo manter fechado o “clubinho douto”, pois tem medo da competição e se escora numa reserva de mercado surgida num momento tenebroso da História do Brasil, onde muitos jornalistas foram perseguidos, torturados e até assassinados. Face à essa cantilena, decidimos então refutar os principais argumentos utilizados pelos apólogos do canudo:
1 - Comparar o Jornalismo às profissões técnicas, como Medicina, Engenharia e Direito para defender o diploma;
Se diploma não for obrigatório, amanhã mesmo vou abrir um consultório médico e vou virar cirurgiã!!!! Afinal de contas, conhecimento e estudos pra quê???????Tatiana Vasco Souza, jornalista, Triunfo-RS
Assim como os advogados, médicos e dentistas, os jornalistas também têm que ser diplomados. Jornalismo não é brincadeira!
Igor Abreu, jornalista, Angra dos Reis-RJ
Assim como médicos precisam de diploma para operarem as pessoas, o jornalista precisa do diploma para servir a sociedade com a verdade e ética!
Clarissa Hermes, acadêmica de Jornalismo, UFSM, Frederico Westphalen-RS
Este é o pior e o mais infantil de todos os argumentos expostos para defender o diploma. Algumas manifestações chegam a apelar à ironia, como uma jornalista gaúcha que se não precisasse de diploma, abriria um consultório médico e viraria "cirurgiã". Alexandra Martins, da UniCEUB, editora do blog Fotografia Sem Preconceito, é um dos raríssimos casos de estudantes de jornalismo que fazem oposição à reserva de mercado aos diplomados. Ela critica essa argumentação absurda:
Acho fraco o argumento daquelas pessoas que se utilizam da comparação com outras profissões para defenderem o diploma de jornalismo. Mesmo que o tema em questão seja “obrigatoriedade do diploma” não é possível comparar profissões, porque elas apresentam estruturas e históricos diferentes. Faculdades de Medicina e Direito têm notas “A” e “B” no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), os cursos de Comunicação tiram em média “C” e “D”. Médicos e advogados tiram férias, têm FGTS e possuem uma classe trabalhadora forte. Muito o contrário acontece na profissão de Jornalismo.
Everton Maciel, um dos editores do Blog do Capeta, faz críticas severas a essa comparação descabida da “panelinha”:
Indiscutivelmente, comparar o jornalismo com profissões técnicas é a falácia mais usada para defender a obrigatoriedade do diploma. No entanto, é difícil encontrar quem argumente que o jornalismo é uma profissão verdadeiramente técnica e não intelectual (como verdadeiramente é).
Em outro artigo, Everton prossegue seus apontamentos acerca desta “pérola fenajista”:
A exigência do diploma específico para o exercício da nossa profissão cairá, nas mãos do STF. Isso acontecerá por vários motivos. Primeiro: continuar comparando jornalismo com as profissões técnicas (odonto, medicina, engenharia, etc) é falta de sobriedade. Ainda: jornalismo não é ciência (humana ou técnica), arte ou filosofia. Portanto, sequer merece estar dentro da universidade - pelo menos no nível da graduação. Quem sabe, uma especialização seja algo menos absurdo?
O jornalista Mino Carta já disse uma vez: “Jornalismo não é ciência, na melhor das hipóteses pode ser arte. Depende do talento inato de quem o pratica, da qualidade de suas leituras”. Também acreditamos que o jornalismo está mais próximo da arte do que da ciência. Porém, os milicos fizeram o grande “favor” de transformar uma profissão de cunho intelectual e artístico numa profissão técnica.
A patota verde-oliva queria identificar veículos e profissionais existentes no país e exercer sobre eles a censura; por isso, nos veículos havia censores para aprovar o que poderia ou não ser divulgado. Outro objetivo era afastar e constranger aqueles jornalistas que não tinham diploma e que em sua imensa maioria eram opositores do regime militar. Para isso, os generais trataram de esvaziar os cursos de ciências sociais, antros de marxismo e costumeiros fornecedores de esquerdistas para as fileiras da imprensa.
2 - Considerar o curso específico de jornalismo como melhor formação e única via de acesso ao postulante à profissão;
É preciso haver qualificação, sempre. A universidade/faculdade será importante para fornecer aos futuros profissionais, mesmo que pouco e com deficiências, uma "bagagem" técnica mínima para o exercício da profissão.
Heitor Navarrete Bisi, jornalista, Sao Paulo-SP
A regulamentação é importantíssima para garantir informação com qualidade. É inadimissível ter formadores de opinião sem qualificação, desconhecedores dos princípios que regem a profissão e sem a bagagem cultural necessária. Precisamos de profissionais comprometidos e por isso deverá ser obrigatório os quatro anos de faculdade.
Patrícia Moreira, jornalista
Apoio a campanha em favor da regulamentação da obrigatoriedade do diploma na profissão do jornalista. Temos o 4º poder nas mãos e para isso tivemos que estudar e nos especializar, então não é possível exercer essa função sem os conhecimentos obtidos na academia.
Thalita Nascimento, jornalista/Salvador-BA
Isso mostra a força da tradição bacharelesca (onde só é considerado jornalista quem tem diploma) e academicista (onde somente na academia que se aprenderá os fundamentos técnicos para ser um bom jornalista), que impera no Brasil desde os idos coloniais, onde há a substituição do conteúdo pela forma (o conhecimento pelo diploma). O diploma tornou-se uma espécie de autorização para se trafegar no mercado de trabalho, principalmente no jornalístico. Instituições de ensino superior particulares são cartórios que vendem à prestação a licença para trabalhar.
Com exceção das universidades públicas e aquelas ligadas a entidades confessionais, as universidades privadas caça-níqueis, beneficiadas pelo “libera geral de cursos” promovido na gestão de Paulo Renato Souza no Ministério da Educação, põem no mercado um verdadeiro exército de jornalistas que não têm a mínima condição de entrar nesse mercado, que não sabem botar ponto e vírgula numa oração, tampouco redigir meia lauda.
Muita gente é formada em jornalismo, mas é incapaz de executar uma entrevista. Existem pessoas que não levam jeito para a profissão e fazem jornalismo ou por pura vaidade pessoal ou pela ambição de trabalhar na TV e chegar a ser o William Bonner ou a Ana Paula Padrão. Mas são poucos os jornalistas que chegam a esse topo da carreira, a ponto de ganharem salários acima dos R$ 100 mil.
O jornalista Ewaldo Oliveira mostra que a manutenção do estado de coisas na regulamentação da profissão de jornalista diz respeito aos professores de jornalismo e sindicatos:
Por coincidir com interesses corporativistas, a "regulamentação" foi e ainda é defendida pelos sindicalistas e outros corporativistas amedrontados diante da
competição. Estão com saudades do peso da botina. Estão pensando apenas em seus interesses. A liberdade conferirá ao mercado uma nova dinâmica. A exigência do diploma fechou o mercado aos diplomados, estimulou a indústria do canudo, criou
um mercado de trabalho artificial: o dos professores de Jornalismo.
Por isso, a liberdade recuperada incomoda. Muitos professores em todo o país
encontraram uma alternativa de emprego ensinando aquilo que pouco praticaram.
Formam massas de estudantes catequizados: ensinados, adestrados a imaginar que a
reserva de mercado é natural e saudável. É interessante apenas para manter empregos de ensinadores de técnicas. Serve apenas para conferir poder de polícia aos sindicalistas. Estes se acostumaram a perseguir e caluniar profissionais honestos, amparados no denuncismo cínico e irresponsável e na tutela do Estado excessivamente regulamentador. Vão perder o poder de patrulha.
Os cursos de jornalismo têm um caráter tecnicista, voltado para as demandas do mercado e a base humanística é ínfima, para não dizer nula. A ENECOS (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social), no XV Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação Social, ocorrido em Maceió-AL, de 20 a 27 de janeiro de 2007 já expôs sua opinião quanto à obrigatoriedade do diploma específico para jornalista e o caráter tecnicista dos cursos de comunicação:Contra a obrigatoriedade da exigência do diploma de jornalista, por uma outra forma de regulação profissional que impeça a precarização da
profissão;
(...)
Contra a ideologia mercadológica adotada pelas faculdades na formação do comunicólogo. Contra o caráter tecnicista dos currículos dos cursos de comunicação social. Por um projeto pedagógico voltado para a formação humanista e a transformação da sociedade.O ensino superior ainda é privilégio para poucos no Brasil, mesmo com cotas nas universidades e ProUni. A exigência do diploma emburrece e elitiza o jornalismo. Emburrece, pois fecha o mercado jornalístico àqueles que possuem graduação específica na área, e que na maioria das vezes, não têm uma bagagem intelectual que um graduado de Ciências Sociais ou História e que numa redação, poderiam ser de grande valia. E elitiza, pois a conclusão do curso superior de jornalismo custa ao estudante, nos quatro anos, incluindo todas as despesas, praticamente o valor de uma casa própria de classe média baixa: de R$ 40 a 50 mil no mínimo. Quem pode pagar esse valor? E como fica depois da conclusão, haverá no mercado de trabalho a possibilidade de recuperação do dinheiro investido?
Muitas pessoas anseiam exercer o jornalismo, mas por reveses da vida, não puderam fazer um curso superior na área. Em São Paulo, na USP, ornalismo é mais concorrido que Medicina.
3 – Dizer que os jornalistas precários são picaretasCom muita indignação, pois não estudei durante 4 anos, como os demais
profissionais da área, para que precários possam utilizar "jornalecos" e
acabar como nossas vagas de empregos. Agora qualquer um pode ser
jornalista. Vamos deixar as vaidades de lado, e criar logo um Conselho
Regional de Jornalismo (CRJ), é uma vergonha para nossa classe, bom será que temos uma classe?
Luana Coelho de Arruda Camargo, jornalista,Ubatuba-SP
Chega de precaretas! O diploma é fundamental para a formação de um bom profissional, em qualquer área!
Fernando Gonçalves, jornalista,Três Lagoas-MSEm qualquer profissão, existem bons e maus profissionais independentemente de diploma e no jornalismo não é diferente. Existem bons jornalistas precários e maus jornalistas diplomados, assim como existem péssimos precários e bons jornalistas diplomados.
Infelizmente, a Fenaj quer tomar a parte pelo todo e considera que os jornalistas "precários" são "picaretas". Mas não é bem assim. Nos dias que antecederam a votação do RE 511961 no STF, recebemos e-mails de apoio de vários jornalistas e associações de jornalistas não diplomados, dentre os quais, o de Carlos André Boeira de Oliveira, do Rio Grande do Sul. Na mensagem que ele envia com cópia para os ministros da Suprema Corte Brasileira, ele desfaz alguns mitos a respeito dos jornalistas precários:Assim como falam que os precários são analfabetos, também pode ser dito que uma boa parte de profissionais formados em faculdades e universidades não têm condições de trabalhar na prática do Jornalismo. Cansei de ver jornalistas recém formados não sabendo coisas básicas, desinformados e bitolados por fórmulas universitárias ridículas.
A federação e o Sindicato do RS jamais procuraram se informar quem são os precários. E posso dizer que diminuíram consideravelmente. Muitos sequer atuam mais. Foram engolidos pelo mercado disputado. Neste ramo ninguém consegue enganar por muito tempo (até mesmo os diplomados não conseguem). Deveriam analisar caso a caso. Existem "precários" bem profissionais. Eu, por exemplo, guardo quase tudo que escrevi, diagramei, criei, fotografei. A prática é a melhor maneira de se mostrar o que se sabe.
Posso ser uma das exceções, e por isso estou chamando a atenção do órgão máximo da categoria. Tem gente ruim com diploma e sem diploma. Não podem generalizar! Se querem mostrar trabalho sindical, façam, mas cuidado para não cometerem injustiças.
Sugiro que busque saber quem é quem dos precários. Montem um processo para cada um deles e se for o caso, reconheçam esses profissionais. No passado já fizeram isso. Muitos profissionais, que ainda atuam, possuem (por força de lei) o registro reconhecido pelos sindicatos sem diploma de jornalista. Exijam tempo mínimo de atuação. Recortes, gravações, registros de que o profissional atua. Mais: podem pegar por declaração, o reconhecimento dos próprios profissionais da área (formados). Jamais um jornalista diplomado irá abonar um "precário" que seja analfabeto ou que não esteja atuando na área.A Fenaj e os sindicatos associados deveriam parar de perseguir os jornalistas precários, ao invés disso, sindicalizá-los e assim ampliar a base sindical, o que causaria aumento das contribuições sindicais e, conseguintemente, teriam mais recursos financeiros para as lutas da categoria por melhores condições de trabalho.
4 – Afirmar que a obrigatoriedade do diploma garante um jornalismo ético e de qualidade;
É preciso ter conhecimento sobre ética para atuar como jornalista. É
preciso falar e escrever fluentemente a nossa língua e também saber buscar a notícia, diferenciando o fato do boato. Para tudo isso, o profissional precisa estudar e dedicar-se. Por isso eu apoio a obrigatoriedade do diploma. Não queremos contribuir para a construção um país de asnos.
Monica Patrícia Costa, jornalista, Apucarana-PR
Escrever sobre determinado assunto é muito fácil, afinal, escrever sobre aquilo que é nossa especialidade é como retratar nosso dia a dia. Agora, escrever com ética sobre TODOS os assuntos, buscando especialistas, investigando, seguindo regras e agindo com a verdade é diferente... mas há pessoas que não perceberam isso ainda!!! Escrever qualquer
um escreve... EU APOIO A REGULAMENTAÇÃO.
Bruna Delanholo Cavalheiro Carvalho, Estudante de Jornalismo, Guarulhos-SP
O diploma do jornalista é o Brasil de "mãos dadas" com a ética e a cultura.
Cíntia Carneiro Hora, jornalista, SalvadorBADizemos com todas as letras que a Fenaj não possui envergadura moral para falar de ética jornalística, já que ela passa por cima do seu Código de Ética de 1987 em vários pontos, entre eles, o artigo 10º, ainda no capítulo 2, está convencionado que o jornalista não pode "frustrar a manifestação de opiniões divergentes ou impedir o livre debate". Infelizmente, a Federação faz de tudo para impedir o debate acerca da obrigatoriedade do diploma. Em seu sítio, só constam as decisões que lhe foram favoráveis.
Tal conduta já foi condenada por vários articulistas do site Observatório da Imprensa, entre eles, o jornalista Maurício Tuffani, que assim escreveu:No que diz respeito à Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e aos sindicatos a ela associados, seria ingenuidade esperar que promovessem uma ampla discussão sobre o tema. No entanto, apesar de a pesquisa ser parte das atribuições de professores e pesquisadores de jornalismo e de suas entidades, estes não responderam praticamente nada às questões de fundo levantadas contra a obrigatoriedade do diploma desde 2001. Em vez de contestações diretas a argumentos pontuais contrários a essa exigência, suas "contribuições ao debate" recorreram sistematicamente à evasiva e surrada tática de refutar questionamentos genéricos ou imaginários.
Desse modo, nenhum antagonista é citado nominalmente, assim como nenhum documento com tese contrária é mencionado, seja em pronunciamentos de dirigentes, em ofícios de diretorias de entidades e até mesmo em artigos assinados por pesquisadores. Não é por menos que essas manifestações estão disponíveis na página de notícias do site da Fenaj, que prima por sua alergia a opiniões contrárias.Se a ética jornalística saísse do plano das ideias, não teríamos tantos erros jornalísticos(caso Escola Base), tantos jornalistas aceitando presentinhos e viagens de suas fontes(jabá jornalístico). Acreditamos que a ética não se aprende em nenhuma academia, mas se aprende em casa, com os pais. Se a pessoa não possui ética, não será nos bancos universitários que ela será adquirida.
5 – Confundir obrigatoriedade do diploma com regulamentação profissional.Se a maioria das profissões exigem diploma, jornalismo deveria ser uma das tops! Informação consciente e precisa, com um profissional apto a fazê-lo ! Eu estou de acordo com a regulamentação, e creio que isto nem deveria estar sendo discutido.
Fernanda Martinelli Gonçalves da Gama, Estudante de Jornalismo,São Paulo-SP
Para ser jornalista é preciso ter muito mais que dom, essa profissão exige muito estudo, dedicação e ética profissional.. Pela regulamentação do diploma!
Igara Letícia Miranda Borges,Estudante de Jornalismo, Goiânia-GO
Eu apóio a regulamentação. Sem esta, não há motivo para se bacharelar alguém em RP, publicidade, Adminstração ou design. Mexer na regulamentação do diploma de Jornalismo é a mesma coisa que falar que
outros diplomas estão na berlinda também. Não basta só técnica como muitos falam, mas também uma formação humanística adequada que enfoque as necessidades das redações e do e do bom desempenho do Jornalismo.
Vaneza Melo, jornalista, Salvador-BA
O estudo, aprimoramento e acesso à informação são adquiridos ao longo da experiência acadêmica. Retirar este DIREITO dos estudantes de Jornalismo é ferir a integridade e violar os sonhos de quem corre atrás de uma profissão, de um sonho. Desenvolvimento e mudanças
estruturais só serão alcançados com respeito e compromisso. Eu APOIO a
regulamentação do diploma. É um direito que nos assiste; como cidadãos
brasileiros e profissionais da área.
Mara Vanessa Torres de Menezes, Acadêmica de Jornalismo,Teresina-PIÉ o “primor” da dissimulação sindical, que prega que o pilar da regulamentação profissional reside na obrigatoriedade do diploma específico.
De acordo com Ivana Bentes de Oliveira, diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em entrevista à IHU Online, a obrigatoriedade do diploma está atrelada à legitimação dos sindicatos. E ressalta que as escolas de comunicação devem vender qualidade e não reserva de mercado:“Acredito que o diploma represente uma reserva de legitimação dos sindicatos. É claro que os sindicatos tiveram uma importância histórica nas lutas políticas e vão continuar a ter, mas também considero que devemos passar por um momento de mudança dessa mentalidade, porque quem faz jornalismo não é só jornalista. Nós temos outros grupos sociais produzindo jornalismo. (...) Creio que o diploma já foi importante, mas não é mais. As escolas de comunicação precisam vender qualidade e não reserva de mercado para um determinado profissional. (...) Se a exigência do diploma acabasse amanhã, os cursos de comunicação continuariam iguais. Os cursos que fazem a diferença continuam formando profissionais e qualidade. O que muda e o que acaba são os cursos que realmente vendiam o diploma”.O corporativismo dos jornalistas e sua organização sindical tem sido posta em questão em vários momentos. Portanto, não poderíamos deixar de citar um trecho de um artigo do jornalista Almir da Silva Lima:
“O pior, no entanto, é que em regra geral, os jornalistas, por não terem
consciência sindical e de classe, acabam se alienando e adotando a douta
ideologia corporativista de considerar o diploma universitário como sinônimo de vocação e principalmente competência profissionais”. Ele ainda acrescenta que: “infelizmente, os jornalistas somente ‘reivindicam’ uma espécie de reserva de mercado e a se organizar em sindicatos e federações separados dos radialistas e demais trabalhadores das empresas de jornalismo ou comunicação social, sobretudo, das indústrias gráficas”.
No Brasil, existem profissões que são regulamentadas e não exigem diploma superior, como músico (OMB), corretor de imóveis (CRECI), ator e radialista.
Há países em que a profissão de jornalista é regulamentada e a formação superior em Jornalismo para a prática da profissão não é necessária, tampouco condição suficiente para o exercício da profissão, nos seguintes países: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, China, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos,Finlândia, França, Grécia,Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Peru, Polônia, Reino Unido, Suécia, Suíça e muitos outros. A mentalidade que vigora nestes países é a de que não pode haver impedimentos para qualquer cidadão ingressar no jornalismo, mas até criar e manter o seu próprio jornal.
Expostos nossos argumentos, damos por encerrado este texto, mas permanecemos abertos ao debate.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Um caminho para ser urbano

Numa comparação sem propósitos, questiona-se: O que se poderia eternizar em Santa Rosa? O canhão da Praça da Bandeira? As vans de hot-dogs? A sexta-feira no Mercado Público? A pista de skate no Parcão? A proliferação de rótulas? O prédio puído do antigo Paço Municipal? O porco no trevo de acesso? A árvore lunar do Parque de Exposições?
Deixando o restante para o imaginário de cada um, parte-se para o que interessa. O trajeto Santa Rosa-Cruzeiro, Cruzeiro-Santa Rosa – leva! Há muito é um lugar comum para quem quer desopilar do cotidiano, voltar do serviço, ir para o colégio, arriscar um flerte e respirar um bom e maléfico gás carbônico.
Os mais atilados quando no percurso já repararam que não têm mais trem na linha, somente os trilhos. Como esta é uma área de domínio público (até que alguém prove o contrário e espera-se que isto não aconteça) a CI, na continuidade do Projeto que previa a definição de um Plano Diretor para a utilização do Parcão vêm a público externar uma proposta ambiciosa, revolucionária e capaz de mudar o perfil desta cidade.
TAPE PORÃ – FLORESTA URBANA, prevê a utilização da área que se estende desde o Parcão (Praça 10 de Agosto) até imediações do antigo Germano Dockhorn (Cruzeiro). A idéia privilegia uma ampla área verde, local para caminhadas, quiosques, via de ciclistas, mirantes, pontos de encontros, idas e vindas e quem sabe para num futuro próximo ficar eternizado nas páginas, senão da literatura, na marca desta comunidade, que ante o desafio não exita.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Economia: passada a limpo
Máquinas - O faturamento do setor de máquinas agrícolas teve queda geral no inicio deste ano passado, atingido todas as áreas da indústria de máquinas e equipamentos. No geral, a redução foi de 25% se comparado com os primeiros quatro meses do ano passado. Só em máquinas agrícolas a queda de 44% nos primeiros quatro meses de 2009. A falta de renda dos agricultores e o endividamento são os principais motivos apontados nas revendas. Só em abril a queda foi de 13%. A receita com as exportações também diminuiu 44%. E as vendas em baixa levaram os fabricantes a demitir. No último mês, mais de 1,8 mil trabalhadores da indústria de máquinas agrícolas perderam o emprego.
Máquinas 2 - As vendas de máquinas agrícolas em maio devem repetir o patamar de abril. Fontes do setor afirmam que as vendas de tratores menores, ligadas aos programas sociais estão aumentando, mas as de grande porte continuam a cair.
Safra - A safra 2009-2010 terá R$ 108 bilhões para financiamento, dos quais cerca de R$ 93 bilhões para o agronegócio e R$ 15 bilhões para a agricultura familiar. O plano ainda não esta fechado, mas o montante foi divulgado pelo ministro da Agricultura.
Agroindústrias - Como a maioria das agroindústrias não está conseguindo acessar as linhas de crédito oferecidas pelo BNDES, deverá ser criado um fundo garantidor do agronegócio. Isso facilitaria o acesso das indústrias as linhas de credito.
Embalagem - Do refrigerante de mais de 3 litros ao antisséptico bucal de 900 ml, está cada vez mais comum encontrar produtos em versões maiores que as usuais nos supermercados. Com a crise econômica à espreita da indústria de bens de consumo não-duráveis, o número de embalagens "tamanho família" cresceu. A meta é evitar que o consumidor que pretende economizar mude das marcas líderes para as mais baratas. E, em diversos casos, a estratégia tem surtido efeito. É preciso se ajustar a cada momento como já havíamos adiantado aqui mesmo no Capeta.
Desemprego - Após três meses consecutivos de aumento, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo e no conjunto de seis regiões metropolitanas pesquisadas pela Fundação Seade e pelo Dieese ficou praticamente estável em abril em relação a março. A taxa de desemprego no centro populacional paulista ficou em 15% em abril, praticamente estável em relação aos 14,9% apurados em março. No mês passado, o contingente de desempregados aumentou em 17 mil pessoas na região. Já nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal, a taxa de desemprego ficou em 15,3% no mês passado, praticamente estável em relação aos 15,1% do mês anterior.
Supermercados - As vendas dos supermercados brasileiros saltaram 16,93% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. O desempenho já era esperado e é atribuído ao fato de a Páscoa deste ano ter ocorrido em abril enquanto no ano de 2008 o evento caiu em março. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Alimentos - A produção brasileira de alimentos e bebidas nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano teve queda de 2,2%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia). O resultado negativo foi provocado pela redução dos estoques do varejo ocorrida no final do ano passado. O fenômeno, que atingiu não só a indústria de alimentos obrigou os fabricantes a brecar a produção em um primeiro momento.
sábado, 28 de março de 2009
A Simpática
terça-feira, 17 de março de 2009
Sede própria e Tape Porã na linha de ação da Cidade Interativa
A OSCIP Cidade Interativa está instalando sede própria a partir deste mês de março. A entidade, que nem sempre é bem-vista, exatamente por suas posturas combativas, tem também uma série de projetos culturais e sociais em curso ou em trâmite, e a decisão de locar um imóvel para instalar uma estrutura administrativa vem de encontro ao objetivo de fortalecer o trabalho desenvolvido. O prédio em questão é nas imediações do posto de saúde do centro, há uma quadra do mercado público, dotada de equipamentos de informática e sala de reuniões. No mesmo local funcionará também a CEDEDICA, entidade que atua na ressocialização de jovens.
Na mais recente reunião da entidade, além de conhecer a sede e decidir por melhorias na estrutura, que deverá estar aberta à comunidade a partir do dia 20 deste mês, foram também definidas linhas de ações em algumas frentes e apresentados alguns futuros membros.
A OSCIP pretende focar esforços em torno do projeto Tape Porã – Caminho Verde, com algumas ações a caminho. O grupo defende a ideia de transformar a área da via férrea, do centro até Cruzeiro, na entrada à vila Jardim, em uma área de preservação, com espaços para caminhadas, ciclismo, quiosques, opções alternativas de lazer, etc. Para isso, é necessário que o município dê alguns passos e que a comunidade demonstre entusiasmo diante do projeto.
A entidade apresentou um projeto elaborado pelo arquiteto Bruno Faccin há alguns anos, sem que nesse período houvesse avanço de parte da Prefeitura. No entanto, nesse período, na área que é pública e à qual a Administração anterior dizia não poder fazer investimentos ou mudanças sem a devida transferência da RFFSA/ALL Logística, viu-se algumas “inovações”. Uma passarela para pedestres na vila Oliveira, um quiosque campeiro ao lado do pórtico da Oktoberfest, e um belo projeto do Rotary em frente ao quartel. É o que se teme, que pela falta de ação do poder público, a área – nobre e bela – passe a ser utilizada sem um obedecer a um projeto maior e coordenado.
Assim como a comunidade adotou o espaço do Parcão – e que nunca é demais lembrar, queriam transformar em terminal rodoviário -, certamente adotará o Tape Porã. É questão de ousadia administrativa.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Esquerda, direita, etc.
O DNA não tem ideologia. Ou tem? Ele prova que todos nascem com o mesmo sistema de códigos, e portanto são iguais - ponto para a esquerda -, mas que cada indivíduo tem uma senha diferente, ponto para a direita, se bem que não necessariamente para os racistas.
Na velha questão biologia x cultura, o DNA dá razão a quem diz que características adquiridas não são hereditárias, nenhuma experiência cultural afeta os genes transmitidos e a Humanidade não ficará mais virtuosa com o tempo, muito menos socialista. Mas a própria descoberta do DNA e todas as projeções do que será possível fazer com a manipulação do material genético mostram como o ser humano pode, sim, interferir na sua própria evolução, e como existe nele uma determinação inata para o autoaperfeiçoamento. Parafraseando Marx: os cientistas sempre se preocuparam em compreender o ser humano, agora podem tratar de mudá-lo. Biologia não é, afinal, destino.
Mas a eugenia é uma ciência com uma péssima reputação. Seu apogeu anterior foi nos experimentos nazistas com prisioneiros durante a guerra.
E o exato significado de "aperfeiçoamento" é discutível. Uma pessoa "melhor" é uma mais preparada, pela aparência e a capacidade físicas padronizadas, e pelo espírito empreendedor, para as competições da vida ou uma pessoa mais solidária e mais tolerante com a variedade humana?
Essa indefinição ideológica dos nossos genes é apenas outra contribuição para uma longa lista de paradoxos. É "de esquerda" ser a favor do aborto legalizado e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado, embora sejam contra a interferência do Estado no resto da sua vida. A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade, que é uma abstração, como dizia a Sra. Thatcher, mas aceita a desigualdade, ou o sacrifício de muitos indivíduos pelo sucesso de poucos, como natural. A esquerda muitas vezes atribui a um estado impessoal ou a um líder superpersonalizado a incongruente realização de um ideal igualitário. Et cetera, et cetera. E, aparentemente, o DNA não vai nos dizer se estamos condenados a ser contraditórios de uma maneira ou de outra. Era só o que nos faltava, o DNA ser do centrão.
Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura genética, mas absolutamente nenhuma curiosidade sobre o que ela significa.
sábado, 7 de março de 2009
Teatro: convite
Pessoal, me pediram que divulgasse:
no próximo domingo, dia 08 de março às 20h no Teatro Sete de Abril, em Pelotas, acontece o espetáculo 'INQUIETO CORAÇÃO". A peça "é um mergulho nas reflexões de Santo Agostinho sobre os mais variados temas", segundo a resenha. O texto foi elaborado por Eduardo Rieche, a partir da adaptação de obras agostinianas "Confissões", "A Cidade de Deus", "A Trindade" e "Solilóquios". A dramaturgia e de Eduardo Rieche, com direção de Henrique Tavares. A peça abre a temporada 2009 do projeto "Arte SESC: cultura por toda parte". Ingressos no SESC e na portaria do Sete de Abril.
Um abraço,
Manoel Vasconcellos
Manoel Vasconcellos
quarta-feira, 4 de março de 2009
Haja Luz!
Carta escrita numa Olivet e enviada de Porto Alegre pelo jurista e tirador de onda Paulo Heitor Fernandes. Sim, eu digitei letra por letra! Vale a pena...
Os guardiões do erário público estadual, depois de meus trinta e seis anos e onze meses de trabalho prestado à causa republicana, querem comprovar que eu permaneço vivo, assim, obrigam-me a comparecer, ao vivo e em cores, uma vez ao ano, no estabelecimento bancário da recebedoria, onde devo apresentar-me e identificar-me, provando, mais meu CIC/CPF, além de domicílio o que só pode ser feito com um recibo de conta de luz, ou água.
Ao abrir da casa bancária, passe folheiro na porta giratória, e, de logo, fui atacado por uma das “facilitadora” (assim estava escrito no jaleco):
- Pois não, onde é que o senhor quer ir?
- Bom dia: quero ir identificar-me e provar que estou vivo.
- É... Bem... Entra naquela fila ali.
Estranhei que tanta gente – uns dezesseis se bem conte – já tivessem me ultrapassando e se alinhavam no renque. Mal perfilei-me, quando abordou-me um guarda:
- O senhor está na fila errada?
- Não, senhor. Fui orientado pela “facilitadora” de plantão para tomar lugar aqui.
- Mas essa fila é só de idosos.
- Eu presumo que todos os “retirados” são idosos e, demais, eu sou até avô.
- O senhor? Mas então deve ser por merecimento, não por antiguidade... Para aí! Avô até o Raí é, e não é velho.
Aí, dei-lhe a ver minha identidade. Ele olhou admirado para a carteira e disse:
- Quem diria?!... Garanto que isso já lhe aconteceu outras vezes?
- Já fui barrado no baile da terceira idade por não ter os mínimos trinta e cinco anos. Não fosse esta carteirinha salvadora teria perdido o arrasta-pé.
Quando faltavam três pessoas a serem atendidas à minha frente, uma “facilitadora” se apresentou com uma senhora, aparentando uns setenta recém feitos, assim com aquela figura da Glória Menezes, ou Jane Moreaux e proclamou:
- A senhora, aqui, vai entrar na frente, é mãe de febiano, herói de guerra.
Pensei, com meus botões, mãe de febiano, por mais herói que seja deve ter, ao menos, cento e alguns anos. Increpei-me
- Herói, por herói, eu também sou. Lutei na Guerra da Criméia. A ignorância geral não percebeu que eu deveria ter, então, uns duzentos anos, ou andar perto. Prontamente, fui passado à frente. Não adiantou. Exigiram-me uma conta de luz, ou de água, em meu nome (as contas estavam em nome de minha mulher). Não sendo aceita a prova de domicílio feita mediante escritura pública e registro do imóvel em que moro, em meu nome, nem, tampouco, a conta de condomínio, também em meu nome. Resultado, tive que ir à companhia de luz, trocar de nome na conta e pagar taxas, voltando à fila enorme, dias depois.
Isso tudo causou-me a maior desolação. Explico: estava eu com propósito de morar em Paris, mas como vou provar domicílio se lá não tem CEEE?
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Bloco de Apoio
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Balanço (miniconto)
Precisava fazer algo a respeito. Ou administrar a culpa crescente. Denunciar? O vizinho saberia de onde partira a chamada às autoridades. Inquietava-se, constrangido e acuado ao mesmo tempo. Todos os dias a mesma história. Meses assim. Três e pouco da tarde, ela vem, delicada menina de tranças negras, como se fosse brincar à praça. No balanço, não se balança. Fica. Até que o velhote surja, olhe, jogue fora o cigarro, e entre, depois dela, no fétido banheiro.
Num amanhecer, enfim, encorajou-se.
Saiu do ap, cruzou a rua a passos lentos, uma caixa na mão. Na praça, parou. Pôs-se a retirar as correntes do balanço.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Racho de capim barreado

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Trote é coisa de mané
Sem vergonha na cara, copiei e colei toda a postagem do "Novo em Folha", editado pela Ana Estela de Sousa Pinto. A campanha é antiga, mas vive nas nossas gavetas. Apenas lembramos do assunto quando algo grave acontece em torno do tema: os nefastos trotes universitários.
Lembro-me que, quando fui fazer minha matrícula na Universidade Federal de Pelotas, respondi para um colega alguns semestres a minha frente: "Bicho é a tua véia! Vai torrar o saco de outro". Não fui expulso da universidade, nem dos grupos de colegas por causa disso. Muito pelo contrário: fiz mais amigos que muitos "integrados".
Escreve a Estela:
Calouro entra em coma alcoólico após trote violento em Leme (SP)
Esse tipo de absurdo só vai mudar quando todo mundo que tem bom senso deixar de fingir que está tudo bem.
"Todo mundo" inclui:
* quem não pratica trote, mas também não faz nada contra quem não quer sofrer trote, mas se submete por medo (só para lembrar, é preciso dois para dançar o tango)
* os diretores das universidades, que fingem que está acontecendo só da porta pra fora e, assim, não tem nada a ver com eles
Forçar alguém a fazer qualquer coisa é violência.
Andar em bandos pelo meio da rua, mesmo que voluntariamente, é irresponsabilidade com a própria vida e a dos outros.
Há milhares de outras coisas legais pra fazer, e nem precisam ser úteis. Pode ser simplesmente ir pro bar ou pra balada e dançar o dia e a noite todos.
DIGA NÃO AO TROTE VOCÊ TAMBÉM.
PARABÉNS, MACKENZIE
Para animar a gente: as coisas podem melhorar.
Quem passa perto do Mackenzie sabe que, neste ano, a barbárie foi mínima.
Muito legal. Parabéns!!!
