Mostrando postagens com marcador Imprensa e Veículos de Comunicação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imprensa e Veículos de Comunicação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Pulitzer


O Pulitzer de fotografia deste ano foi para um afegão, da France Press. Massoud Hossaini disse que foi a foto mais difícil que ele fez.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Zygmunt Bauman

É provável que o Bauman seja um dos 10 intelectuais mais importantes vivos e respirando sobre a face desse famigerado globo. A democracia que nos conhecemos nasceu de um talk show. O homem é um gênio. Um velho que olha para o futuro a cada segundo de um ângulo totalmente novo.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Lucidez, recusa, ironia e obstinação: a liberdade de imprensa para Camus

É uma leitura é obrigatória. Todo jornalista deve ler isso. Me contradizendo: não é uma leitura obrigatória para "todo jornalista" do século 21, mas apenas para aqueles que aprenderam a ler ainda durante o século 20.

Esse texto de Albert Camus foi escrito em 39, nas portas da Segunda Grande Guerra. O material só foi conhecido recentemente, depois de passar anos
engavetado. Jean e Catherine Camus, filhos do escritor e jornalista argelino divulgaram o material. Vi primeiro no blog do professor Alec Duarte.

tradução PAULO WERNECK

É DIFÍCIL, HOJE
em dia, evocar a liberdade de imprensa sem ser tachado de extravagante, acusado de ser Mata Hari, sem se ver convencido de ser sobrinho de Stálin.


No entanto, essa liberdade, entre outras, é só um dos rostos da liberdade pura e simples, e nossa obstinação em defendê-la será compreendida se houver boa vontade para admitir que não há outra maneira de vencer de fato a guerra.

É certo que toda liberdade tem seus limites. É preciso, ainda, que eles sejam reconhecidos. Sobre os obstáculos que hoje são postos à liberdade de pensamento, aliás, já dissemos tudo o que foi possível dizer e diremos novamente, à saciedade, tudo o que nos será possível dizer.

Em particular, uma vez imposto o princípio da censura, jamais nos espantará o bastante ver que a reprodução de textos publicados na França e examinados pelos censores da metrópole seja proibida no "Soir Républicain"*, por exemplo.

O fato de que, a esse respeito, um jornal dependa do humor ou da competência de um homem demonstra melhor do que qualquer outra coisa o grau de inconsciência a que chegamos.

Um dos bons preceitos de uma filosofia digna desse nome é o de jamais se derramar em lamentações inúteis diante de um estado de fato, que não pode mais ser evitado.

A questão na França não é mais a de saber como preservar as liberdades da imprensa. É a de procurar saber como, diante da supressão dessas liberdades, um jornalista pode permanecer livre. O problema não interessa mais à coletividade. Ele diz respeito ao indivíduo.

MEIOS
E justamente o que nos agradaria definir aqui são as condições e os meios pelos quais, no próprio seio da guerra e de suas servidões, a liberdade pode ser não somente preservada, mas também manifestada. Esses meios são quatro: a lucidez, a recusa, a ironia e a obstinação.

A lucidez pressupõe a resistência aos movimentos do ódio e ao culto da fatalidade. No mundo de nossa experiência, é certo que tudo pode ser evitado. A própria guerra, que é um fenômeno humano, pode ser a todo momento evitada ou interrompida por meios humanos.

Basta conhecer a história dos últimos anos da política europeia para nos convencermos de que a guerra, seja ela qual for, tem causas óbvias. Essa visão clara das coisas exclui o ódio cego e o desespero que deixa estar.

Um jornalista livre, em 1939, não se desespera e luta pelo que acredita ser verdadeiro como se a sua ação pudesse influenciar o curso dos acontecimentos. Não publica nada que possa incitar ao ódio ou provocar o desespero. Tudo isso está em seu poder.

Em face da maré de besteiras, é preciso igualmente opor algumas recusas. Nenhuma das limitações do mundo leva um espírito um pouco limpo a aceitar ser desonesto. Ora, por menos que conheçamos o mecanismo das informações, é fácil nos assegurarmos da autenticidade de uma notícia.

É a isso que um jornalista livre deve dedicar a sua atenção. Pois, se ele não pode dizer o que pensa, pode não dizer o que não pensa ou o que acredita ser falso. E é assim que se mede um jornal livre: tanto pelo que diz como pelo que não diz. Essa liberdade bem negativa será, de longe, a mais importante de todas, se soubermos mantê-la.

Pois ela prepara o advento da verdadeira liberdade. Em consequência disso, um jornal independente dá a fonte de suas informações, ajuda o público a avaliá-las, repudia as cascatas, suprime as injúrias, compensa, em comentários, a uniformização das informações e, em resumo, serve à verdade na medida humana de suas forças. Essa medida, por mais relativa que seja, lhe permite ao menos recusar aquilo que nenhuma força no mundo pode fazê-lo aceitar: servir à mentira.

Chegamos, assim, à ironia. Podemos estabelecer que, em princípio, um espírito que tem gosto e os meios para impor limitações é impermeável à ironia. Não vemos Hitler, para tomar apenas um exemplo entre outros, utilizar a ironia socrática.

Conclui-se que a ironia permanece como uma arma sem precedentes contra os poderosos demais. Ela completa a recusa na medida em que permite não rejeitar o que é falso, mas muitas vezes dizer o que é verdadeiro. Um jornalista livre, em 1939, não tem muitas ilusões sobre a inteligência daqueles que o oprimem. Ele é pessimista no que diz respeito ao homem.

A cada dez verdades ditas em tom dogmático, nove são censuradas. Essa disposição ilustra com bastante exatidão as possibilidades da inteligência humana.

Ela explica também que jornais franceses como "Le Merle" ou "Le Canard Enchaîné"** possam publicar regularmente os corajosos artigos que conhecemos. Um jornalista livre, em 1939, é portanto necessariamente irônico, ainda que, volta e meia, a contragosto. Mas a verdade e a liberdade são amantes exigentes, pois têm poucos apreciadores.

OBSTINAÇÃO
Com essa atitude de espírito brevemente definida, é claro que ela não se poderia sustentar de modo eficaz sem um mínimo de obstinação. Não são poucos os obstáculos à liberdade de expressão. Não são os mais graves deles que poderão desencorajar um espírito. Pois as ameaças, os empastelamentos, as perseguições geralmente obtêm na França o efeito oposto ao que propõem.

É preciso reconhecer, porém, que há obstáculos desencorajadores: a constância na tolice, a covardia organizada, a ininteligência agressiva -e por aí vai. Eis o grande obstáculo sobre o qual é preciso triunfar. A obstinação é aqui uma virtude cardeal. Por um paradoxo curioso, porém óbvio, ela se põe a serviço da objetividade e da tolerância.

Eis, portanto, um conjunto de regras para preservar a liberdade até mesmo dentro da servidão. E depois?, diremos. Depois? Não sejamos tão apressados.

Se cada francês quiser apenas manter em sua esfera tudo o que acredita ser verdadeiro e justo, se quiser ajudar de sua frágil parte a manutenção da liberdade, resistir ao abandono e divulgar sua vontade, então, e somente então, essa guerra estará ganha, no sentido profundo da palavra.

Sim, é muitas vezes a contragosto que um espírito livre deste século faz sentir a sua ironia. O que encontrar de agradável neste mundo inflamado? A virtude do homem, porém, é a de se manter diante de tudo o que o nega.

Ninguém quer recomeçar em 25 anos a dupla experiência de 1914 e de 1939. É preciso, portanto, testar um método ainda novo em folha, que seria a justiça e a generosidade. Mas estas só se exprimem nos corações já livres e nos espíritos ainda clarividentes.

Formar esses corações e esses espíritos, ou melhor, despertá-los, é a tarefa ao mesmo tempo modesta e ambiciosa que se apresenta ao homem independente. É preciso se aferrar a isso sem olhar para mais à frente. A história vai levar em conta ou não esses esforços. Mas eles terão sido feitos.

---

* Jornal publicado em Argel, do qual Albert Camus foi redator-chefe
** Jornais satíricos parisienses

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

As coisas são como eles querem que elas sejam

Jr. Grings, Campos Lindos, Tocantins

Para Walter Benjamin, filosofo alemão que morreu durante a segunda guerra mundial, uma das funções sociais mais importantes do cinema e da televisão é criar um equilíbrio entre o homem e o aparelho que reproduz determinado evento. Isso acontece não pelo modo que o homem se representa diante do aparelho, mas sim, pelo modo que ele representa o mundo, usando esse aparelho.

O que eu quero dizer com isso? Que a ótica dos acontecimentos reproduzidos nunca poderá ser a ótica dos acontecimentos; será, sim, a ótica de quem está controlando esse aparelho de reprodução, ou então, a ótica do aparelho de reprodução.


Trocando em miúdos, sempre que vou usar algum aparelho para reproduzir um acontecimento, seja máquina fotográfica, filmadora, gravador de som, enfim qualquer aparelho de reprodução, estou representando o acontecimento ao meu modo, e não como ele aconteceu. Se por algum modo, eu tenho ferramentas e oportunidades de interferir seja no acontecimento ou na sua reprodução de maneira que altere ou possibilite a alteração do acontecimento. A representação desse acontecimento será de resultado única e exclusivamente da minha ótica, estarei expressando minha versão do acontecimento e não o acontecimento em si.


Isso acontece muito, por exemplo, com a fotografia de determinadas personalidades. Buscam os melhores ângulos, as melhores luzes, as melhores maquiagens para o resultado ser exatamente o almejado. Também é muito comum acontecer isso com a televisão. Nos programas gravados, pela repetição, teste e cortes e edições. Já nos programas ao vivo por interlocutores, ângulos de filmagens e luz.


Resumindo, por mais que pareça, por mais tentador que seja, você nunca está vendo o que aconteceu realmente na televisão, e sim o que determinada emissora quer que você veja. Isso é ruim? É conspiratório? É manipulação de massa? Não necessariamente, isso é apenas a maneira com que processo de reprodução ocorre. As intenções e possibilidades ficam por conta da ética e isso é assunto para o Everton.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Michael Teló: obrigado, Época

A Revista Época foi benevolente. A cultura brasileira é muito pior que a representação imediatista e estereotipada do Michael Teló. Nunca ouvi o rapaz; apenas a referida música que toca, em altos decibéis, em qualquer carro de som com um dono de membro sexual apequenado.

Só não faço das palavras do Juremir Machado da Silva as minhas, porque sei que ele é muito melhor do que eu com um teclado. Então, limito-me a colocar aqui o link com o texto mostrando o quanto Michael Teló é bom.

Devemos referenciar Michael Teló e agradecer que no próximo ano haverá alguém muito pior. Afinal, sempre que houver um Michael Teló nos vamos nos concentrar nele e não vamos lembrar de todo o resto que diz respeito a nossa mediocridade estética. É muito lixo para um país só.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Regulagem da mídia

Tem voltado do esgoto vários comentários sobre a regulamentação da mídia. Regulamentação é um eufemismo barato para regulação. Ou seja, é o estado regulando alguma coisa ou atividade. Não que adiante muito, mas gostaria de sugerir aos publicitários da regulagem um livro. Sei que poucos deles realmente conseguem ler mais que algumas linhas. Justamente para facilitar, escrevo pouco. É o meu jeitinho xucro de contribuir com a porra da inclusão digital.

O tratado On Liberty é a maior obra do liberalismo nos últimos 200 anos. Escrito em 1959, o livro continua inédito e insuperável. Indico aos propagandistas da regulamentação a introdução e o primeiro capítulo. Ao todo, não são mais de 30 páginas. Onde o autor explica o que significa liberdade civil e que significaria dar ao estado o direito de regular uma opinião.

Não vou falar o nome do autor para que os publicitários da esquerda xiita possam se dar, ao menos, o trabalho de procurar pelo ano e nome do livro. As traduções para a nossa língua fracassada são poucas. Uma editora traduziu como Sobre a Liberdade, outra como A Liberdade. Tanto faz. Dá muito serviço ler coisas que não estão mastigadas em três parágrafos na internet.

sábado, 22 de outubro de 2011

Cretinos e suas cretinices

A capa da Revista Época dessa semana é um desdobramento - com uma semana de atraso - de uma publicação investigativa da concorrente. O mérito está em pegar o espírito do cretinice e publicar. Partido de canalhas, como todos os outros, de direita e esquerda.

Aliás, uma vez um safado militante político, ligado ao movimento estudantil, financiado justamente pelo partido em questão me disse: "se o cara diz que esquerda e direita são conceitos ultrapassados. Provavelmente é um reacionário de direita". Admitamos, então, a simples realocação das coisas: cretinos à direita; honestos à esquerda. Levando em conta que não resta ninguém para chamar de esquerda, dá no mesmo!

Sem mais, meritíssimo.

sábado, 24 de setembro de 2011

Bang Bang


Assisti essa semana Clube do Bang Bang. É um filme sobre o fim do jornalismo; no fim do século passado. Conta a história de quatro fotógrafos que trabalharam cobrindo o regime de segregação racial sul-africano. Entre eles, dois prêmios Pulitzer, Kevin Carter e Greg Marinovich. Juntos com Ken Oosterbroek e João Silva formaram o quarteto que ficou conhecido pelas melhores fotos que o mundo viu - e outras que o mundo não viu, pois foram engavetadas - do confronto entre as tribos do país, acaloradas sempre por um regime de colonizadores cretinos. Entre 90 e 94, os quatro estiveram juntos distribuindo fotos e polêmicas para agências americanas e europeias. Entre as polêmicas, a foto de Carter, feita no Sudão, logo depois que o fotógrafo beberrão foi banido da agência onde trabalhava na África do Sul do Sul, por causa do excesso de álcool no jornalismo. A pergunta foi e continua sendo: depois da foto, qual foi o destino daquela menina? O que o jornalista fez para ajudar? Com certeza, Carter fez muito mais que muitos colegas cretinos responsáveis pela confecção da pergunta e protegidos do calor, dentro de redações climatizadas com enormes splits.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Redes insociáveis

Todos temos manchas negras no nosso passado. Eu, na adolescência, dancei Backstreet Boys e tive Orkut. Sim, faz muito tempo. Levando em conta que as festinhas daquela época não interessam para ninguém, vou falar da minha antipática relação com as mídias sociais.

Quando eu tive Orkut, era preciso ser convidado para participar da rede de relacionamentos. Convites eram leiloados no mercado livre. Achei interessante, mas vi que aquela muvuca estava crescendo demais e logo só serviria para encher meu saco e arrumar briga com a mulher. Crescer, para assuntos interneticos, é o mesmo que ficar lotado de menores mentais, trolladores e idiotas de toda ordem. Abandonei. Meu Orkutcídio aconteceu dois meses depois da abertura da conta. Durei bem, até. O Orkut, no geral, durou bem. Depois de ser vendido para a Google, virou uma várzea geral. Hoje, quem sabe, minha mãe ainda tenha uma conta. Mas duvido que tenha restado alguma alma sóbria naquele entulho. O Orkut se transformou no grande aterro sanitário da sociedade contemporânea. Um lixo de ideias espúrias e envio de spam.

Muito tempo depois surgiu o Twitter. Mantive uma conta por um anos. No começo era legal. Abandonei depois que surgiram seguidores suficientes para minha saúde mental ficar debilitada. Muita gente torrando o saco diante dos teus olhos faz a coisa complicar. Encerrei a conta do Twitter e acabei com o meu vício. Só sai ganhando. Depois, o Twitter só tem perdido espaço para o Facebook.

Entrei no Facebook há uns seis meses e já estou de saco cheio. Estou encerrando minha conta. Compreendi como o mecanismo funciona e, quando precisar usar profissionalmente, posso voltar. No mais, continua estranha a ideia de ter que suportar tudo que os outros têm a dizer. Quem disse que todos têm algo a dizer?

Sinceramente, tenho pena das pessoas que veem nessas mídias sociais o "futuro" da internet. Elas duram tanto quando o interesse dos internautas: algo tão instável, relativo e irritante que não merece ser levado em consideração por ninguém com alguma coisa na cabeça.

De duas ferramentas não pretendo me desfazer tão cedo. A primeira é esse blog, meu atestado da falta de compromisso com a internet. Depois, não abro mão da ferramente mais interessante já inventada pela Google. O Google Reader. Impressiona-me o fato das pessoas não saberem usar a ferramenta e não darem para ela a verdadeira importância. É uma grande perda de tempo tentar seguir sites de notícias através do Facebook, pior ainda com a baderna do Twitter. Infelizmente, como qualquer coisa bacana, os leitores de Feeds fazem pouco sucesso.

É realmente uma tristeza não conseguir passar dez minutos ouvindo rádio ou assistindo televisão sem que o material produzido tenha alguma vinculação com as chamadas mídias sociais. Jornalistas e produtores se tornaram reféns do modelo e não conseguem administrar aquilo que fomentam. Pior: não notam como são efêmeras as plataformas digitais e submetem todo seu conteúdo a elas. No fim, você acaba observando que as redes de relacionamento crescem apenas na medida em que a "velha imprensa" dá publicidade para a coisa.

Sinceramente, "fazer parte" de algo é muito mais que essa merda toda.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Meus [quase dez] mandamentos

Revirando aqui minhas coisas esquecidas nas gavetas - que podem facilmente ser classificadas como lixo, encontrei uma agenda antiga. Coisa do longínquo tempo onde eu exercia a ingrata e edificante função de pauteiro de rádio e jornal. Dez anos depois, no meio das anotações sem o menor sentido, achei algumas orientações jornalísticas escritas, na época, para dar norte ao meu próprio trabalho. Algumas eu inventei, outras devo ter copiado por aí. A maioria pode gerar polêmica, mas todas sempre me foram muito úteis. De qualquer forma, compartilho-as:

1. Ninguém tem o direito de não se sentir ofendido.
2. Tudo que é de interesse público deve ser publicado, não importando quem afete.
3. Se uma pauta não é de interesse público, e sua publicação interessa a alguém, não é uma pauta: é uma demanda; encaminhe para o departamento comercial.
4. O inventor do conhecido ditado "notícia boa também vende jornal" não era jornalista. Era alguém interessado na publicação de uma pauta sem o menor interesse público.
5. Diretamente, o assessor de imprensa não paga o seu salário. Não facilite as pautas que não são de interesse público.
6. Conheça o interesse detalhado de todos aqueles que têm interesse de serem suas fontes.
7. Ter um amigo promotor como fonte para suas pautas não é fazer jornalismo investigativo: é prestar serviço gratuito de assessoria de imprensa para o Ministério Público.
8. Se o seu chefe quer saber quem é sua fonte anônima, lembre-se: ele, sim, paga o seu salário.
9. Uma fonte só pode ser anônima se ela for absolutamente desinteressada com a publicação da pauta.

Havia travado no número nove. Deve ser alguma aversão religiosa falando subconscientemente.

domingo, 7 de novembro de 2010

Papagaio de pirata

- "Senhor governador, por favor", o repórter pede.
Daí o governador eleito do Estado dá um passinho para trás.
Enquanto o mesário troll...



Quem trabalhou com isso sabe. Esse é o típico papagaio de pirata. Não tem coletiva de imprensa sem um. São pessoas sem a capacidade de reconhecer sua mediocridade. Vale o registro.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O olho que funciona...

Já perdi as contas de quantas vezes disse aqui que os gringos fazem uma cobertura melhor dos nossos assuntos internos que nós mesmos. O título de hoje do El País foca sua atenção nos eleitores, como eu, desgostosos com a cretinice que se tornou a campanha presidencial.

La agresiva campaña genera el desencanto de los brasileños

Los sondeos elevan la distancia de Rousseff sobre Serra y prevén un alza de la abstención y del voto en blanco

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Enquanto isso...


... na redação de um pequeno jornal, pessoas com mania de grandeza.

Da minha amiga Jussara Nunes, e seus Quadrinhos Gonzo. Lembre-se: a realidade não tem graça nenhuma.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Hombridade rara no jornalismo nacional

Uma vez, eu disse: "atualmente, falta macho no jornalismo". Lógico que fui mal interpetrado. As barbies que ficam quatro anos em um curso superior sonhando em ocupar espaço na previsão do tempo me chamaram de machista, reacionário, retrógrado e blá, blá. Como a Rita Lee se garante "mais macho que muito homem", logicamente falamos, eu e ela, a mesma língua. Lee destaca a macheza com o sentido de hombridade, um termo que não distingue mais gênero e vale para todo mundo, ou seja, quase ninguém.

Um dos raros exemplos de hombridade, um dos caras mais machos do jornalismo brasileiro é Paulo Beringhs. Até quarta-feira passada, ele tinha um programa na TV Brasil Central, controlada pelo governo de Goiás. Vetado, pela direção da emissora, de entrevistar o senador Marconi Perillo, Beringhs explicou porque a entrevista não aconteceria. No mesmo golpe, deu uma esparramada contra seu colega de bancada, Cléber Ferreira, escalado pela emissora para ser o seu substituto: "garanta seu emprego que eu garanto minha dignidade", disse despedindo-se.

Arrepio-me cada vez que vejo a cena. Aí está o vídeo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Falta ética no jornalismo [acadêmico]

Enviei meu atual devaneio pessoal para o blog das competentíssimas Cris e Ana Estela. Agora, reproduzo aqui. Por mais que me chamem de maluco, ainda, acho que a preocupação é legítima e o assunto merece ser aprofundado. Obrigado, gurias! O feedback que vocês patrocinam é muito bacana.

Terminada a graduação, alguns buscam o mercado de trabalho, outros a academia. No meu caso, tenho um enorme interesse pela pesquisa dos assuntos ligados à ética. Estou falando de ética formal, com rigor teórico. Nada de manuais de ética profissional ou coisa do tipo.


Pois é. Gasta-se – com razão – tanto papel, tinta e saliva no jornalismo brasileiro sobre esse assunto tão fundamental, mas, quando você busca uma universidade com uma linha de pesquisa na pós-graduação sobre ética, vê que a coisa fica só na confecção de manuais e publicações isoladas sobre o assunto. Além de serem poucos os programas que trabalham ética como um assunto acadêmico, quando a linha de pesquisa existe, ela é tão genérica que só é capaz de motivar pesquisadores com referências abrangentes sobre o assunto. Rigor e critério: nenhum.


No meu caso, por exemplo, cursei filosofia e me interessei muito pela corrente utilitarista do século 19. No Trabalho de Conclusão de Curso, estudei um filósofo que, também, foi jornalista: J. S. Mill. Se me mantenho em uma pós na área de filosofia, tranquilamente, encontro universidade, orientador e até bolsa de estudos, mas, se resolvo arriscar e voltar para a área da nossa profissão, o jornalismo, aí a coisa aperta. As universidades só querem saber de 'pesquisar' redes sociais, jornalismo participativo e comunitário e blá blá. Com todo respeito às outras áreas, mas, se a ética é um assunto tão reclamado na imprensa, como pode a academia negligenciar um assunto tão importante de uma forma tão descarada? Vergonha de conversar com as outras áreas? O salto do tamanco é muito alto?


Esse é só mais um dos pontos que descredencia totalmente a reclamação de um diploma específico para o exercício da nossa profissão. Mas são tantos... sei que não vou encontrar resposta para isso em lugar algum, mas fica a provocação para que a gente repense permanentemente o jornalismo, a universidade e a tentativa digna de unir as duas coisas.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Em torno


Às vezes, eu acredito nas pessoas. Muito longe de um comportamento otimista. Não é bem isso. É acreditar na raça humana que pode fazer qualquer coisa para se manter viva. Acompanhei a maioria dos resgastes daqueles mineiros no Chile. É tão difícil ver uma multidão unidas em torno de outra coisa que não seja futebol que não podemos perder essas oportunidades. No Brasil, eles morreriam, ninguém seria culpado e as pessoas iriam para frente do Fórum só na próxima semana para protestar pelos assassinatos brutais que ocupam horas nos programas de TV.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Dia, um dia depois.

Queria saber o que passa pela cabeça de um editor que faz uma coisa dessas. Se fosse um jornaleco, o cara dava um desconto. Culpava a falta de estrutura ou qualquer outra coisa. Mas O Sul é o terceiro (ou quarto?) jornal mais importante do Rio Grande do Sul. Descaradamente, os caras copiaram, na publicação de ontem, a capa do jornal carioca O Dia, publicado anteontem. É para perder a paciência.

Vi a pilantragem através do site do Eduardo Tessler, MidiaMundo. Pelo menos a gente cita a fonte.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Nós nos gringos.


Como sempre, os gringos vêm fazendo uma cobertura melhor do Brasil do que a imprensa brasileira. Aí matéria do El País

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Por que jornalismo e governo não combinam?


Porque quando o governo interfere no jornalismo não é mais jornalismo é publicidade. No melhor dos casos, podes chamar de assessoria de imprensa. Assessoria de imprensa está para jornalista assim como sindicalista está para trabalhador.

Semana passada, o jornal estatal egípcio
Al – Ahram decidiu publicar uma foto modificada (ao lado) de chefes de Estado presentes em Washington, na qual o presidente-ditador egípcio, Hosni Mubarak, aparece à frente de outros líderes, incluindo o presidente americano, Barack Obama.

Na foto original, que passou longe do fotoshop,
Mubarak faz parte da galera do fundão. Na verdade, ele É a galera do fundão. Está atrás de Obama, do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, do presidente palestino, Mahmoud Abbas e do Rei Abdullah II, da Jordânia.

Os moços estavam reunidos para o recomeço das negociações de paz no Oriente Médio no início de setembro.

Daí, o editor do jornal disse o seguinte: "a versão alterada foi feita para ilustrar o papel importante do Egito no processo de paz".

Essa nem o Duda Mendonça e os assessores do PT engoliram.

A imagem ainda está adulterada e permanece
no site do jornal.

sábado, 18 de setembro de 2010

Os publicitários e o resto

Tenho quase certeza que já disse isso aqui antes, mas não custa repetir: os jornalistas brasileiros precisam aprender muito com os conterrâneos publicitários. Poderíamos começar pelo óbvio: parar de torrar a paciência com questões menores, como obrigatoriedade ou não do diploma. Pensar na universidade como um lugar humano e não instrumental.

Não tem como não fazer mea culpa quando se vê uma publicidade como essa. O slogan: "Brastemp inverte o céu de São Paulo". Tudo perfeito. Na TV? NÃO! No MSN! Um link que te convida ao clique.

Em comunicação de cego, quem tem um olho é rei. Em país de terceiro mundo, com necessidades comerciais de primeiro, os publicitários foram verdadeiros darwinistas. Gênios da adaptação. Enquanto o jornalismo... o xurnalismo!

p.s: óbvio que não ganho nada pra fazer publicidade pra Brastemp aqui. Os publicitários simplesmente mereceram.