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sábado, 27 de agosto de 2011

Benzodiazepínicos

Realmente, eu ficaria muito feliz de estar acordado às 7h45minutos da manhã. Sinceramente, ficaria muito contente de contar que estou produzindo desde às 5h45 da madrugada. Mas estou puto da vida, porque só consegui dormir duas horas contínuas durante toda a noite. Somando minhas horas de sono, dormi menos da metade do tempo recomendado pelos médicos durante essa semana. Sei que não vou conseguir pagar a conta no próximo mês. Nem no próximo semestre. Mas prometo que vou parar de fazer frases com finais estúpidos, em alguns anos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Rasguei o dedo

Juca Fortes

Rasguei o dedo

Tentando cortar

O remendo

Do nó que dei

Sem perceber

Não entendi do segredo,

O que não deveria esquecer

Numa maçaroca de coisas

Expostas em veias novas

Uma estatura composta

De voltas sobrepostas

sábado, 22 de maio de 2010

Porque hoje é sábado

Deus e outras formar de neurose têm lugar garantido na poesia. E essa é das melhores. Quem canta Vinícius de Morais é Tom Jobim.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

25. Pedido

Conheço o espírito de muitos homens
Mas não sei quem sou eu mesmo!
Meu olhar é demasiado próximo de mim -
Não sou o que vejo e o que vi.
Eu seria de maior proveito para mim
Se de mim pudesse estar mais longe.
Não tão distante quanto meu inimigo, claro!
Ja o amigo mais próximo está longe demais -
Mas entre nós dois há o meio do caminho!
Adivinham vocês meu pedido?

F. Nietzsche, A Gaia Ciência

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Deixe lá

Tio Sid Pestano

Essa luz é artificial,

deixe-me apagá-la!

Ela fere meus olhos e força minha existência.

Deixe-me tornar menos agressivo aos meus olhos!

Sei que não haverá sustento,

mas deixe-me!

Não haverá também falsas sombras,

deixe-me!

Pobre Édipo, você não o deixou

Deixe!

Sim, faminto, não percebeu...

que não havia nada além dele.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Tonto

Tio Sid Pestano, professor de Filosofia, poeta e tonto

Os olhos embaçados pela visão conturbada;
da insígnia dessa maldição incontestável.
Por que diabos penso?

Estopim da loucura!

Causadora de tontura!

Podre reflexo sem condição
que me faz dar pontapés no ar,
que me torna um escravo de uma colméia
de neurônios e silogismos.

Razão desgraçada!

Doença do animal evoluído
que me proíbe de apenas ser,
De apenas estar.

Erro me torno,
separado,
um leme sem barco,
um fastio reflexivo,

só pode ser pior que o incondicionado existir.

Com o declínio impossível
Só resta o fedor para os que ainda conseguem cheirar
E o isolamento aos que cansaram de falar.

sábado, 4 de abril de 2009

Sem título

Juca Fortes

Devassa, adivinha novas sortes
Com minhas dores.

Devassa, alucina novas fortunas
Com minha angústia.

És tão devassa
Sábia das alturas
O gosto dos teus gozos
Repuna à amargura.

Devassa minhas covardias
Pureza da luz nua.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

TEMPO

C. Martin

Fico com a sensação
de que mastiguei o tempo
- essa malva crua -
e isso põe um estranho
gosto na boca.

É o paradoxo.
Engolir esse amargor
é que sara feridas.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Velozidade

C.Martin

A carruagem do tempo
inverteu papéis.

A má-madrasta é mãedrasta
o lobo que era mau
de pedófilo virou bom
o vampiro não chupa sangue
o fantasma não assusta
o diabo já não existe
o padre insiste

ai, ai, das minhas crianças

não estão nos libertando dos medos
estão nos tirando histórias
levando fragmentos
que sempre nos compunham.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Um poema - quase microconto

C. Martin

Oito, nove anos.

Mãos no rosto.

Desgosto?

Não.

Fora da escola

cheira cola

nas barbas da lei

e o PM logo ali,

fardado, na esquina

sacando do bolso

notas

a uma menina.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Guardanapo antes do fogo

Tio Sid Pestano

Existe a chama do cigarro,
a chama que chama.
Existe a chama da lenha,
a chama que queima.
Existe a chama do querosene,
a chama da pele.
Pele que chama, que queima.
Doce fogo, fel de chama que me chama,
me tornando mel,
Desgraça! velha fome chama.
Não é o fogo, mas o que queima.
Que não me faz chama,
mas, sim, o que queima.

Imagem: Woman with Dead Child, de Käthe Kollwitz (1903)

sábado, 24 de janeiro de 2009

O Corvo

Edgar Allan Poe

Tradução: Machado de Assis

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
“É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais.”

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto, e: “Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais.”

Minh’alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: “Imploro de vós, - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais.”
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.
Entro coa alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
“Seguramente, há na janela
Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento e nada mais.”

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: “O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Cousa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é seu nome: “Nunca mais”.

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: “Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora.”
E o corvo disse: “Nunca mais!”

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
“Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: “Nunca mais”.

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: “Nunca mais”.

Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.
Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: “Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora.”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
E o corvo disse: “Nunca mais.”

“Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fique no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua.
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua.”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Quintana, sempre Quintana


Mário Quintana

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.



Essa simpática contribuição chegou através de e-mail do colega lusitano Roquelino Ornelas, apresentador da RTP Madeira. Sinal de que o poeta gaúcho faz mais sucesso do que se imagina fora das fronteiras do Brasil. Abraço, a todos os amigos de Portugal. Sejam da ilha de Madeira ou do Velho Mundo.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O que liga

Gisele Piedras

Há uma ligação entre o bem e o mal,
Há uma ponte que liga duas cidades,
Há uma faísca que une o branco e o preto,
Há uma química entre nós que nos atrai,
Há duas chances,
Há duas hipóteses,
Há dois meios.

Pode haver três soluções,
Ou nenhuma;
Pode haver muito mais do que a química,
Pode haver não só uma ponte,
mas sim um oceano ligando tudo isso.
Podemos estar certos ou errados,
Podemos ter, não nos tendo,
Ou, então, já pertencermos um ao outro sem mesmo sabermos...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

sábado, 13 de dezembro de 2008

Saudade

Gisele Piedras

Não sei bem do que sinto,
Mas é uma puta saudade,
Saudade de pessoas;
Lugares;
momentos;
cheiros...

Ahh, saudade!!!! você me mata
e eu tento te matar,
e assim vivemos;
nos entendemos;
nos conhecemos...
Eu morro a todo instante
e você renasce a cada momento.


(Foto: Ana Rita)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A Hora Íntima

Vinícios, O Poeta

Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal...
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançara um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Eu III (de III)

Tio Sid Pestano

Só foi o que eu vi.
Ácrono coração meu
que desse mundo fez céu

Balsamo!

Conceitos tardios
Imagens perdidas
de uma criança ou de uma manhã

Assuada!

Ermo sorriso
que fez nascer a piada
que deu vida ao palhaço

Autocídio!!!

Sim...
também pode ser vida
a de um bufão ou cidadão

...

Ácrono, tardio, bufão
que em crianças vê formigas
e que em olhos não vê manhã

... esse sou eu.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Poema da redação para um correspondente no Tocantins

Juca Fortes

Custa escrever:
"tô aqui no TO e o mundo é lindo!” ou
"A vida é uma merda e tô aqui no tocantins.”
Custa mandar um alô?

Junior Grings, da um sinal, manda um fax, um e-mail,
um sedex com as frutas da estação!
Manda uma foto das terras que você comprou!


Sinceramente e com apreço,
O Blog do Capeta

PS: da próxima vez escreve o nome do fotografado na legenda da foto da cara do fotografado.
Entendeu?