segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Quem movimentou a máquina de transferência de votos 17.1?

Para poder responder essa pergunta é preciso fazer de conta que Lula nunca existiu. Digo isso, porque é evidente que o presidente-presidiário foi o maior mecanismo de contra-transferência de capital político desta eleição. O eleitorado 17.1 é composto não só pelos religiosos conservadores, mas pelos frustrados sociais. O cara comprou um carro financiado e agora viu que precisa pagar o preço dele na gasolina, o assalto à Petrobrás pagou as primeiras parcelas do Fiat Palio, mas a conta veio depois. A pergunta que proponho é a seguinte: excluindo Lula, quem mais transferiu votos para 17.1? Na carta fria dos números, foi Marina Silva e Geraldo Alckmin. A primeira, disparado responsável pela maior transferência, faz parte de um projeto fracassado do laboratório petista de fazer política na base do erro e acerto. O segundo, sem a mesma ligação, foi incapaz de captar para si o sentimento anti-petista, um verdadeiro picolé de chuchu. Bolsonaro não é um resultado dos seus próprios acertos políticos, é um resultado do nosso fracasso. O PT apostou que um retorno às origem dos partido iria frear a alucinação coletiva. Pois, as origens do partido estão tão sepultadas que restou a pá de cal da arrogância. Sim. Um petista é capaz de jogar o país no caos pra provar que o caos existe.

Agora, como convencer um eleitor petista de que ele é responsável pela onda Boso? Não é possível fazer isso, porque a militância petista que restou - mesmo pulverizada - não é dada aos argumentos do empirismo. Eles preferem a dialético do erro e acerto. Ou é o "rouba, mas faz", disfarçado de "eles sempre roubaram". Ou são os slogans preparados em cartilha: "fascista", "nazista". O segundo caso é ponto de confronto com o ideário Bolsonaro, afinal, é a mesma lógica de discurso "petralhas", "esquerdopatas"; o primeiro, nem isso. Jamais o eleitor de uma seita compreenderá que a outra é imune a esses rótulos. Como eu disse, falta empirismo e sobra dialética.

A responsabilidade do atual estado das coisas está presa em Curitiba, mas sua metáfora não. A insistência no desmonte da democracia iniciou com o mensalão, o loteamento para o PMDB, passou pelo boi de piranha Dilma - lembra da ideia estapafúrdia de "constituinte exclusiva"? -, nos deu Temer e, agora, nos dará Bolsonaro. O eleitor petista não faz mea culpa sobre nada disso.

O PT, na sua troca de projeto de governo por projeto de poder, é diretamente responsável pela onda Boso. A tática do "inimigo de estado" funciona, portanto. Conseguiram, afinal, destruir o que havia restado da democracia representativa; apenas, não vai ser da forma que eles gostariam. Nosso atraso que estava calculado em 20 anos, agora precisa de mais quatro para ser recalculado. Bolsonaro fará o pior dos governos? Sem gerência política, experiência e capacidade de entender o Brasil: é muito provável. O PT voltaria na pior das suas faces? Sem a menor dúvida, e pelos mesmos motivos.

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