quarta-feira, 21 de maio de 2014

É mentira. Há 10 anos, a minha vida não estava pior

É mentira. Há dez anos a minha vida não estava pior. E a vida de pouca gente estava pior. Melhorou de vida, nos últimos dez anos, quem se sustenta das tetas do estado. Com o bombardeiro de gastos públicos e a pouca ampliação dos serviços. É natural que a vida de alguns tenha melhorado. Das camadas menos assistidas, é possível. Das camadas mais assistidas, com certeza. Nunca os ricos ganharam tanto na história desse país.

E que bom para eles!

Para mim, só piorou. Há dez anos, eu era da Cohab e continuo na Cohab. Só mudei de cidade mesmo. Umas 5 vezes, aliás. Dei azar. Se eu fosse o Rolim Amaro, dono da TAM, aí sim minha vida teria melhorado de dez anos para cá.

Em vários pontos minha vida piorou significativamente. Vamos a eles:

Há dez anos, o transporte público era caro e utilizável. Hoje é caro e não existe mais. Há dez anos, poucos podiam comprar carros de multinacionais e evadir divisas para a mão dos gringos. Hoje quase todos podem. Só não podem usar os carros, porque não existem mais estradas. Lembro perfeitamente que eu utilizava o serviço público de saúde há dez anos - especialmente porque ainda continuo usando! -, mas naquele tempo, era possível ser atendido, tanto na rede pública quanto nos planos particulares. Hoje, os planos de saúde  mostram que não suportam mais a demanda e a rede pública simplesmente parou de funcionar. O grande atestado de entrada na classe média, o cartão da Unimed, está se encaminhando para o mesmo precipício no qual está a saúde pública. Basta aguardar.

Alguns, há dez anos, podiam pagar ensino privado para os filhos. Hoje, quase ninguém pode. A política econômica desfavorece escolas particulares e prefere as escolas públicas: mais caras e ineficientes. É um lugar mais fácil para a doutrinação política e só isso. Claro, estou falando do período onde não há alguma greve periodicamente calculada esburaqueando o ano letivo.

Há dez anos, lembro, havia ainda algo chamado segurança pública, era responsabilidade dos estados da federação. Eles não estavam completamente falidos graças ao Irmão Maior. Hoje não existe mais segurança pública. Quem disser que existe é mau caráter, mentiroso ou mal intencionado. Quem pode pagar por segurança, faz isso e torce os dedos. Os outros torcem os dedos e se escondem onde conseguem. Há dez anos, o Brasil não tinha 11 das 30 cidades mais violentas do mundo. Parabéns aos responsáveis pelos últimos dez anos. Chegamos no topo da lista.

É preciso mais uns dez anos para a gente entender que nossa vida só melhora se a gente quiser. Mas daí é otimismo demais da minha parte. Minha conta e meu risco.

Boa sorte para quem quiser encarar os próximos dez anos.

Um comentário:

Isabela Carvalho Santos disse...

Agora a pergunta q ninguém tem coragem de postar. Copa e Olimpíadas foram feitas para esconder o plano de fazer um governo "democrático venezuelano" no Brasil?