sábado, 28 de setembro de 2013

Ondas Curtas: sem saudosismo, mas precisamos delas

Eu recebo muito pensativo a ideia de que as transmissões de rádio em ondas curtas podem acabar. Sinceramente, não entendo exatamente o que isso quer dizer. "Acabar"? Bobagem.

Do ponto de vista prático, parece que se busca eliminar a frequência entre 3.000 e 30.000 KHz em virtude do tal "chiado". É verdade, a frequência modulada (FM) elimina o chiado. E a transmissão vai até o bolicho da esquina. Não tem chiado, mas não tem transmissão. Beleza, né?

"Ah" - dizem os ratos de tecnologias modernas, "mas os aplicativos para ouvir rádio na internet! Além da qualidade do áudio, funcionam em qualquer lugar com 3g e blá blá".

Sim, nobres empolgados, com certeza. Como eu não pensei nisso antes! A internet! Sempre a salvação da lavoura!

Senhores, é preciso lembrar que em 11 de setembro de 2001 o Google, praticamente a internet em pessoa ou seu sinônimo em forma de site, mandou as pessoas ligarem seus rádios e suas TVs? Essa grande e inacabável internet ficou inoperante em virtude do congestionamento. Não se enganem. Não é preciso derrubar mais do que meia duzia de servidores para acabar com a internet do mundo inteiro. Qualquer guerrinha de fundo de quintal deixa nações inteiras sem internet. Em 2001, o Google mandou as pessoas ligarem a rádio e a TV. Simples assim. Pediu pinico. Virou as costas. E quantas antenas transmitindo em ondas curtas nos temos espalhadas pelo mundo? Milhares. E em ondas médias (AM)? Centenas de milhares.

Felizmente, essa conversa de acabar com as ondas curtas não tem voz e defensores em lugares civilizados. Parece uma coisa bem brasileira e localizada. A transmissão por ondas curtas gera um altíssimo consumo de energia e, portanto, custa caro.

O ponto é: pensem duas vezes, antes de dizerem que não vale a pena transmitir em ondas curtas. Reativar transmissores inoperantes de uma hora para a outra não é tão simples assim.

Esse Zenith 7 faixas já foi considerado um
rádio portátil. Deve ser o charme da alça. 
Essa semana, lembrei-me que deveria defender as ondas curtas depois que li uma matéria sobre a UVB-76, uma emissora russa tida como "fantasma". Baita história!

Não se trata de saudosismo barato. Não estou dizendo que as pessoas devem conservar e procurar comprar Motoradios ou Zenith e usarem os aparelhos como símbolos da "era de ouro da rádio". Quero que se exploda. Mesmo. Também não penso que as pessoas possam trocar seus notebooks por rádios da Tecsun. Só não não entendo como conseguimos ser tão impressionados sem motivo sólido algum com essa tecnologia barata. Perto das ondas curtas, um iPhone é uma bugiganga de hipster. A popularização da internet não é a nova invenção da roda.

Por fim: é possível uma situação dessas aí, do vídeo abaixo, com FM? NÃO. É preciso voar mais alto, precisamente na ionosfera, para chegar aos pés das ondas curtas.

5 comentários:

popeye disse...

parabéns pela postagem me veio aqui na minha cabeça lembrança de infância do tempo que ia para casa do vô e via o velho sentado no canto da casa com seu rádio que ele exaltava muito porque era rádio alemão e era de 7 faixas para ele escutar a deutsche wele que também citado no vídeo do senhor danilo nonato .

Everton Maciel disse...

verdade, marujo. Emissoras como a DW não abrem mão de transmitir algumas horas por dia nas suas OC pros mais diferentes continentes.

Anônimo disse...

As tecnologias midiáticas não acabam. Algumas entram em desuso, outras se modificam, outras englobam novos meios. Mas na hora do aperto (naufrágio, guerra, invasão alienígena)os rádios de ondas curtas, os pombos correio, e o telegrafo vão nos salvar.

Juca Fortes

jose maria santana disse...

eu tenhon interneti a 13 anos tenho 66 anos de idade mas nao troco meu tcssun por nada sealguen duvida e so ligar pra ver o melhor radio do mundo no momento

joao disse...

Gostaria de tirar uma dúvida, porém, é algo meio técnico, bem é o seguinte: Uma vez que comenta-se que um dos maiores desafios para se manter uma ŕadio de Ondas Curtas no ar é seu elevado consumo de energia elétrica, já que devido à propriedades físicas a energia necessária para levar a onda tão longe, ou de outra forma, fazer os geradores de potência trabalharem em tais frequência para gerarem OC, então fico pensando, pegando como exemplo o Grupo EBC (antiga Rádiobras) qual sua potência? uns 250kW (não lembro), porém, qual seria o consumo para essa rádio manter-se ativa em ondas curtas?