quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Chapéu

Sei que o blog está meio abandonadão, mas o FaceBook tem destruído pilhas de blogs por aí. Mesmo que pareça conversa de alcoólatra em recuperação: prometo tentar melhorar. E você pode me adicionar no FB aqui oh.

Um autêntico chapéu do panamá pode
pode ser comprado na internet por
cerca de 150 cobres. Convenhamos:
não é tão caro assim. Se você quiser
desembolsar 3mil por um Super Fino
Montecristi, aí vai ficar a cara do
Pierce Brosnan
Vi uma publicação no Papo de Homem que me fez criar coragem de escrever sobre um assunto que muito me afeta: o hábito de usar chapéus. Nem quando era criança, usei boné. Agora, depois de velho, tenho tentado usar para ir a academia. As duas quadras que separam minha casa do lugar não poderiam ser mais longas. Chega me dar arrepios. Quando me vejo com aquilo na cabeça, penso: que merda é essa? Mas, como na academia tem uma puta duma vitrine para os transeuntes olharem a galera malhar (deve ser uma boa forma de publicidade, mas é um saco), uso boné para ficar mais escondidinho. Sou tímido, gente!

Ponto. Nova linha.

Mesmo sem o hábito de usar boné, sempre gostei muito do formato Kangol; e chapéus uso bastante em todas as estações do ano. Tanto o chapéu do panamá, feito de palha, ótimo para o sol do verão, quanto o fedora de feltro, bom para o inverno.

No Brasil existem ótimas chapelarias, como a Curi e a Marcatto. Infelizmente, muito tragicamente, o sistema de distribuição dessas marcas é péssimo e é muito difícil encontrar um bom chapéu feito por elas em lojas de roupas convencionais. Tabacarias especializadas e outras lojas dedicadas aos acessórios masculinos têm. Mas isso difunde muito pouco os produtos. Os chapéus mais vendidos acabam sendo aqueles folclóricos, como o chapéu de gaúcho ou o chapéu de vaqueiro. Ótimo para quem gosta de andar fantasiado, mas ninguém faz isso no dia-a-dia da cidade.
Alain Delon: chapéu de feltro. Frio e chuva

Pois é. Tenho notado que o hábito de usar chapéu retornou. Lamentavelmente, a maioria dos chapéus usados hoje em dia são vendidos ao lado daqueles bonés de abas retas. Uma tristeza. Tanto na feiura, quanto na qualidade. Não é possível comprar um bom chapéu por dez cobres no camelô. Ajudaria bastante se as fabricantes de qualidade se esforçassem para colocar seus produtos no mercado convencional com preços mais baixos e as boas lojas (não é o caso da Renner e da C&A) requisitassem os representantes comerciais. Mas sei que isso é difícil. Vai continuar vigorando o padrão do mau gosto.

A não ser que você vá para uma festa a fantasia, onde supostamente pode usar qualquer coisa, não coloque um chapéu na cabeça, caso você não se sinta bem com ele.

O chapéu é um artefato. Não é um mero assessório como um cinto ou um par de meias. Para usar um chapéu é preciso respeitar ele. É um relacionamento metafísico, e impossível de ser explicado. Não é colocando um chapéu na cabeça que você vai ser melhor que os outros. É preciso ser melhor que os outros para usar um chapéu. Não é possível escolher um chapéu, o chapéu escolhe você.

Na sociedade afrescalhada contemporânea, um bom chapéu se tornou um objeto que remonta aos tempos onde a civilização era separada entre homens e moleques. E o segundo grupo não tinha autorização social para interferir nos assuntos do primeiro. Trata-se de um período pre-Restart, quando havia, ao menos, ideais de bom senso e cavalheirismo. Por isso esse símbolo, o chapéu, é hoje mais importante do que nunca.

No mais, segue valendo a máxima geral: personalidade é igual olho azul, ou você nasce com ela, ou passa a vida inteira admirando nos outros.

5 comentários:

Fabio Bracht disse...

Fiquei feliz que o meu texto no PdH motivou a escrita desse. Achei massa mesmo!

Inclusive, se um dia quiser escrever sobre chapéus para o PdH, fala comigo no fabiobracht arroba papodehomem ponto com ponto br, e a gente discute alguma coisa.

Abração!

Unknown disse...

Cara, o texto é meio antigo mas achei ele procurando por chapéus fedora. O artigo do papo de homem me trouxe até aqui.

Parabéns, ficou do caralho. Seria ótimo se você escrevesse mais sobre chapéus, tanto aqui quanto no PDH. Abração

Nathan Scapini disse...

Cara, curti o post. Mas não é interessante escrever que chapéu de gaúcho ou cowboy é pra quem gosta de se fantasiar.
A pilcha gaúcha não é fantasia, e sim parte da cultura que talvez você não entenda por não fazer parte desse estado.

Danil BR disse...

Não vejo muita gente de chapéu na rua, e só conheço duas pessoas que usam. Então, por aqui, o uso de chapéu não é tão comum... Gosto de meu chapéu, costumo sair com ele, mas estou querendo comprar um mais escuro, pois o meu é muito branco, e um parecido com o do Doutor, só para ostentar: http://img2.wikia.nocookie.net/__cb20080903192351/tardis/images/a/af/Fourth_Doctor_eating_allsort.jpg

:P

Fábio Venhorst disse...

Legal o seu artigo. Realmente, chapéu não é pra moleques. E quando digo chapéu, é um chapéu de verdade e não essas porcarias de R$ 10,00 que a piazada compra pra tirar onda na balada.

E pra um homem usar chapéu, principalmente hoje em dia, tem que ter atitude e convicção disso, senão vai se sentir e parecer um palhaço. Porque as pessoas notam a insegurança e isso é que é verdadeiramente ridículo. Convicção é tudo, e não só em matéria de chapéus.

É mesmo difícil achar bons chapéus no Brasil, pontos de venda são escassos e a maioria dos chapéus de feltro disponíveis por aí carecem daquela personalidade que os chapéus dos velhos tempos tinham... 4 dos meus 8 chapéus são vintage, e são os meus preferidos. Alterno entre eles no dia a dia, conforme a ocasião e o look.