terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Protecionismo sem limites

A exemplo dos sindicalistas e professores universitários que buscam desesperadamente fazer com que o STF mantenha a exigência de diploma específico para o exercício da nossa profissão, jornalismo, o senador Romeu Tuma (PTB-SP), teve uma ideia ‘fabulosa’: diploma para DJ. Isso mesmo, o cara que anima as baladas atrás da pick-ups.

Coisa de político que não tem o que fazer.

Ainda sou obrigado a lembrar que o partido do senador carrega a palavra Trabalhista no seu âmago.

Leia a matéria publicada no site da Folha:

Em trâmite no Senado, um projeto de lei gera certa polêmica ao propor a regulamentação da profissão do DJ.

De autoria do senador Romeu Tuma (PTB-SP), o projeto é composto por dezenas de artigos. Entre os pontos que têm motivado controvérsia entre profissionais do setor estão:

1) o que condiciona o exercício da atividade de DJ a um registro prévio na Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho (art. 4º e 5º);

2) o que determina ao profissional a apresentação de diploma de curso profissionalizante reconhecido pelo MEC ou pelo sindicato da categoria, além de um atestado de capacitação profissional fornecido pelo sindicato (art. 6º);

3) o que prevê a participação de 70% de DJs nacionais quando um evento escalar um DJ estrangeiro (art. 25º).

Não precisa de diploma

"Um DJ não precisa ter diploma para tocar. Conheço muita gente que nunca fez escola de DJ e que sabe tocar muito bem. A esta altura, não preciso fazer aula para aprender a discotecar", afirma o paulista Magal, 43 anos, que discoteca há 25 anos.

Residente do clube Vegas, Magal é professor de discotecagem no curso de Produção Musical da Faculdade Anhembi Morumbi. Ele já se apresentou em países como Escócia, Inglaterra, Espanha, Alemanha, França, Portugal, Argentina e Chile. Nunca fez curso para aprender a profissão.

Já Bunnys, DJ há 18 anos, defende o projeto de Tuma.

"Ninguém ainda entendeu a lei como ela efetivamente é. Mas é um ponto positivo para a profissionalização do negócio. Talvez ajude a sociedade a entender que ser DJ é uma profissão, não é um oba-oba. Por esse lado, a lei é muito importante. E serve para criar um vínculo empregatício com as empresas. Dá uma segurança maior para o DJ", defende.Bunnys é proprietário da escola DJ Ban, em São Paulo.

O terceiro ponto, que prevê uma espécie de cota para DJs nacionais, é considerado inócuo por gente do meio, pois a maioria dos eventos que escalam DJs estrangeiros já contam com profissionais brasileiros na escalação.

"No caso dos DJs, cuja atuação é essencialmente prática, com formação nas ruas, chega a ser um tanto esdrúxula a exigência de 'diploma'. O legislador, a pretexto de regulamentar, soterra a graça e a beleza de uma atividade artística que nasce da transgressão e cresce por meio da prática um tanto anárquica", escreveu a vereadora paulistana Soninha Francine (PPS) em seu site.

O projeto de lei 740, de 2007, já passou pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, e teve como relatora Rosalba Ciarlini (DEM-RN).

O projeto passará por votação no plenário do Senado. Se aprovado, vai para a Câmara dos Deputados. Se aprovado, vai para sanção do presidente.

4 comentários:

Anônimo disse...

Hahahaha,

a exigência de diploma para ser DJ é idêntica ao cado do jornalismo: funções técnicas que dispensam capacitação superior.

Ou não?

abs
ALEC DUARTE

Blog do Capeta disse...

Mas olha, maestro Alec... sei que minha comparação foi forçada pelos dois absurdos. No entanto, numa coisa ambos os casos se aproximam: ambos têm a capacidade intelectual (no caso dos amigos DJs, artística intelectual) acentuadas, frente a simples técnica. Afinal, pouco importa a capacidade técnica da pick-ups, se o carinha não tem talento para saber o que agrada a galera na balada. Nem uma coisa, nem outra pode ser chamada de “arte” ou “técnica”. Tudo é artesanato. Usam-se elementos da técnica e elementos da arte. :)

Tiago disse...

Tbm Concordo em partes,,,,mas acho que tem projetos mais importantes que esse, a serem votados e criados, para o povo.. por exemplo. aqualificação de nossos policiais....ao inves de inventar mais um tributo a ser pago...dos muitos que pagamos e não enxergamos... para onde vai....
ou quem sabe,,, inventar um projeto de lei de formação e qualificação, comprovas e mensalidades a pagar que nem uma faculdade....para vereadores, prefeitos, governadores.. etc.

Barone disse...

É de matar.