terça-feira, 25 de março de 2008

Uma volta em torno da praça


Texto e fotos: Everton Maciel, de Pelotas

Dando uma volta no contorno da Praça Coronel Pedro Osório, no Centro Histórico de Pelotas, qualquer um pode fazer uma viagem ao século 19. Se não bastasse a beleza contida na própria praça, os prédios históricos fazem parte da construção cultual, política e social do nosso Estado.

No coração da Pedro Osório o chafariz Fonte das Nereidas é um brilho a mais na visão dos turistas. Importado da França em 1873, o chafariz foi incorporado à praça que tem uma área de 13 mil metros quadrados, boa parte arborizada e com excelentes bancos para esticar as pernas. Durante as tardes, os vendedores de flores oferecem seus produtos aos casais de namorados e, nas noites quentes de verão, a iluminação é excelente para aproveitar um sorvete.
Além do chafariz, outros monumentos chamam a atenção na praça. É o caso de um relógio "movido" à luz solar. Diferente dos modelos que pretendem economizar energia elétrica, esse foi construído quando tal grau de conforto sequer era sonhado. A foto, registrada às 13h45, mostra a precisão da engenhoca.

A imponência da estátua (foto) do líder político que dá nome a praça, Pedro Osório (1854-1954), pode nos dar uma noção da importância dele na transição entre os séculos 19 e 20.

Os prédios antigos também encantam os despreocupados. Enquanto as pessoas correm apressadas durante as tarefas do dia-a-dia, aqueles que não têm nada para fazer podem doar um tempo a si mesmos. É impossível, por exemplo, passar pelo local e não dar atenção ao majestoso Grande Hotel. Ele foi inaugurado em 1928 e, até hoje, é ponto de referência arquitetônica. Sua cúpula e sua clarabóia foram importadas da França. A restauração feita em 2004 trouxe brilho novamente aos cinco andares do Grande Hotel. O prédio já abrigou um cassino e, atualmente, está fechado para visitação. Apesar das melhorias realizadas no centro de Pelotas, muitos prédios aguardam um processo de revitalização (foto esquerda). Mesmo assim, a ferrugem e a tinta do final do século 19 ainda reservam seus encantos, como é o caso desse casarão fabuloso (foto acima), tombado com patrimônio histórico nacional em 2007.

A Prefeitura Municipal de Pelotas também é um dos prédios que enchem os olhos na quadra da praça. O prédio está em ótimas condições externas e internas e foi construído em 1880, na gestão do conselheiro Antunes Maciel. Além da Intendência de Maciel, na época, a Câmara de Vereadores também funcionava no local. Assim como o Grande Hotel, a prefeitura possui linhas do ecletismo historicista, mas com elementos neoclássicos e neo-renascentistas. Apenas pode-se lamentar o modelo alemão de instalação elétrica utilizada em Pelotas e em todo Brasil. Como existiam vantagens de manutenção do modelo que utiliza postes, quem perde é a estética. As cidades americanas adotaram o modelo britânico e francês, que usa fiação subterrânea, e hoje não passam por esse problema. A tecnologia evoluiu e a manutenção da rede elétrica e telefônica pode ser feita mesmo com os fios debaixo dos nossos pés.

A importância intelectual presente na época dourada de Pelotas pode ser observada se levarmos em consideração a cronologia dos fatos. O segundo prédio público erguido na cidade, ao lado da prefeitura, foi justamente a Biblioteca Pública Municipal. A construção encerrou em 1988. Em 1913, inaugurou-se outro pavimento do prédio que agora passa por reformas e, por isso, está rodeado de tapumes. Para sorte dos visitantes, o prédio continua aberto ao público. O interior é tão encantador quanto a fachada.

Muito antes da prefeitura e da biblioteca, em 1834, Pelotas ganhava o primeiro teatro do Estado e quarto do Brasil. O Teatro Sete de Abril precisa passar por reformas, mas continua ativo.

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