quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Entrevistas e vice-versa

Everton Maciel
Uma das coisas que mais gosto de fazer é entrevistar pessoas. Especialmente, escritores. Mas não ir ali na esquina pegar uma declaração, voltar para a redação e fazer uma matéria. Nada disso. Entrevistar mesmo sabe? O que quero dizer é que gosto de conversar com pessoas que podem responder perguntas como: o que você mudaria na sua vida? Ou ainda: os seus livros têm a intenção de corrigir sua vida?
Escritores, então, são minhas vítimas favoritas. Poetas, nossa! Não posso ver um poeta que estou com o gravador atrás. Com uma diferença: é fácil surpreender os poetas, porque você pode ler os poemas em poucos minutos. Essa falcatrua não rola com romancistas, claro. Esses precisam ser entrevistados só depois de alguns dias debruçados sobre as narrações. Ao mesmo tempo em que adoro entrevistar escritores, vejo que eles gostam de falar – a maioria não é arisca. Mas é tão estranho entrevistar alguém que escreveu um livro que você terminou de ler há pouco tempo. A real é que tenho inveja. Como aqueles dinossauros com os mais diferentes sotaques têm um fôlego tão intenso. Escrever, escrever, escrever longamente com detalhes que enchem parágrafos sobre “o canto da porta que se arrastava no chão e arranhava o azulejo”, ou sobre a vidraça que estava suja, mas não com qualquer sujeira: e, sim, “com a sujeira do tempo inchado que acaba se transformando no pó que o movimento não absorve por não existir”.
Dia desses perguntei para um escritor que acabara de ler: “qual a coisa mais importante da realidade ou da imaginação?” O David Coimbra respondeu o seguinte: “a gente vê uma coisa que está acontecendo e imagina o desfecho. Ou imagina alguma coisa e a realidade completa aquilo. Então, resta ficar atento às idéias e à realidade, para poder contar depois”. Entendeu? Pouco importa qual a coisa mais importante. O que importa, realmente, é: como se dá esse fenômeno.
Entrevistei ídolos durante muito tempo. Eliane Brum, Boris Casoy, Charles Kiefer, e muitos outros. Escritores, jornalistas, poetas. Alguns continuaram no meu nicho de ídolos. Outros eu transportei para a gaveta dos Seres Mais Odiados da Face da Terra. Poucos, mas alguns. Será que um escritor daria uma entrevista para um leitor fiel, se ele soubesse que poderia perder esse leitor?
Claro que, se eu não for à livraria, a vida de Luiz de Miranda, Luis Fernando Verissimo e tantos outros não mudará. Mas, entendendo eu, perder um leitor é perder parte da capacidade de ser escritor. Aliás, eles só existem porque, supostamente, alguém os lê.
Dia desses, perguntei para um artista plástico: “será que você não perde alguma coisa cortando a matéria prima de sua obra? Não fica nada para trás um pedaço de sua existência?” Ele perguntou se eu não havia dormido de noite ou se estava bêbado. Nunca mais serei convidado para uma exposição do dito cujo. E fui riscado da lista de cartões de natal, mas sobreviverei. O que realmente me preocupou foi: será que ele, simplesmente, não me entendeu? E, se não entendeu, custava responder outra coisa interessante como fez o Coimbra – que, aliás, continuará na minha lista de compras para sempre, viu. Está aí uma coisa que não perdôo em artistas: todos têm a obrigação de responder a coisa mais descabida do mundo como se fossem recolher roupas do varal! Não vale dizer não para pergunta alguma. O artista deve assustar-se com a normalidade, não como o absurdo. No mundo da arte, o absurdo é o normal e vice-versa.

3 comentários:

Anônimo disse...

[b]meu nome é Rodrigo,com qm minha namorada vai ficar pra sempre,ql é o nome dela?

Anônimo disse...

meu nome é Rodrigo,com qm minha namorada vai ficar pra sempre?

ELA VAI PARA UM SHOW DO JEITO MOLEKE,ELA VAI FICAR COM ALGUEM NESSA FESTA?

RODRIGO disse...

MEU NOME É RODRIGO QUERO SABER SE MINHA NAMORADA VAI FICAR COM ALGUEM NO SHOW DO JEITO MOLEKE EM BANGU SERÁ Q ELA VAI FICAR COM ALGUEM NESSE SHOW?