quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Anos Incríveis

Anos Incríveis foi o único seriado de televisão que eu vi do começo ao fim. Conto isso porque os seriados fazem muito sucesso hoje em dia. E as pessoas fazem donwload deles da internet e assistem vários seriados em sequência. Os seriados de sucesso geralmente envolvem vampiros que, ao invés de morderem pescoços, mordem fronhas e zumbis idiotas. As comédias da Warner até são de gosto menos duvidoso, mas não assisto toda semana, assim que sai um episódio novo, como muitos fazem. Geralmente, é meu momento de ligar a TV e ver o que está passando. Como não tenho TV por perto para ver o que está passando a todo momento, vejo na academia ou na casa da namorada.

Já Anos Incríveis eu via quando era criança, pela TV Cultura. No Brasil, passou no meio da década de 90, com algum atraso, pois a série foi gravada entre 88 e 93. Já disse que a tentativa de reler fatos históricos com 20 anos de diferença é algo interessante. Todo Mundo Odeia o Cris e 70's Show são outros exemplos. Mas não vi nenhum deles com a mesma euforia. Acho que gostei tanto do Kevin Arnold porque eu estava na mesma fase da vida que ele. Soma-se a isso o subúrbio onde nós dois vivíamos, uma vida humilde e muito interesse pelo sexo oposto. Coisas relativamente normais. Além disso a década de 90 foi um momento de transformação para nosso país, com a novidade que chamaram de democracia. Os EUA da transição entre as década de 60 e 70 também passava por transformações alucinadas.

Anos Incríveis teve seis temporadas. A primeira bastante curta. O primeiro episódio marcou o fim da infância de Kevin, com destaque para o primeiro beijo. O último episódio, seis anos depois, culminou no fim da juventude e início da vida adulta, com direito a primeira relação sexual: consumada com a mesma paixão que percorreu toda a sua adolescência, Winnie Cooper, interpretada pela diva Danica Mckellar.

Eles tinham Beatles, nos temos Latino. Eles tinham o homem chegando a lua, nós temos notebooks. Eles tinham uma guerra fria, nós temos gente fria e covarde incapaz de guerrear. No seriado, tudo era subjetivo, mas bem demarcado. Anos Incríveis toca fundo porque fala de um tipo de crescimento e maturação bastante universal que serve tanto para aquele período histórico, quanto para o momento em que foi gravado e, respeitada a distância, também serviria para hoje. Mas, sinceramente, é otimismo demais. Não sei se funcionaria hoje em dia. Tudo é tão diferente com tanta tecnologia à disposição. Nada é subjetivo. Tudo é explícito. Deve ser um inferno ser adolescente hoje. Dei sorte.

Revendo alguns episódios do seriado, lembrei de Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na lua. Ele sentenciou em uma entrevista: "Vocês me prometeram colônias em Marte e me deram Facebook". Afinal, por que não resolvemos nossos problemas?

2 comentários:

Vani disse...

"Eles tinham uma guerra fria, nós temos gente fria e covarde incapaz de guerrear". Esse parágrafo todo...bah! Incrível! Fiquei com vontade de conhecer a série.

marco Vinício disse...


"Nós temos gente fria e covarde incapaz de guerrear." É uma verdadeira era dos compassivos.